Depois de explorar as mais variadas facetas da obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, os irmãos Adriano e Fernando Guimarães voltam a mergulhar no universo beckettiano para, desta vez, falar de ritmo. Desconhecido e inexplorado, o ritmo é imprescindível para a respiração e subjacente à luz, dois temas abordados anteriormente pelos diretores. “Sozinhos Juntos” é o mais novo projeto dos Irmãos Guimarães e promoverá ao longo de três meses uma série de eventos entre palestras, apresentações, debates e oficinas de teatro. A programação começa na segunda (11 ), quando inicia o ciclo de conversas com pensadores e acontece o lançamento do livro “Nada Expandido”, publicação do projeto anterior da dupla, no Centro Cultural Banco do Brasil – Brasília (CCBB), e segue ao longo de setembro e outubro com as apresentações dos espetáculos Sopro e Quadrado, ambos inspiradas na obra de Beckett, nas unidades do Sesc Garagem (Asa Sul), Sesc Gama, Sesc Ceilândia, Sesc Taguatinga Norte e no CCBB.O tempo é um tema sempre presente na obra do dramaturgo irlandês. “É da consciência da própria mortalidade que se abrem as possibilidades de questionar o sentido de tudo: da vida às relações humanas”, diz o diretor Adriano Guimarães. Um dos mais influentes autores do século XX, Samuel Beckett apresenta a natureza humana sob um olhar tragicômico, com doses generosas de humor negro e sarcasmo, que ultrapassam os limites da lógica e levam seus personagens a situações inimagináveis. Seu estilo transita entre o minimalismo de sua produção tardia e as situações que beiram o absurdo.
“Sozinhos Juntos”, frase retirada de um texto de Beckett, resume bem a obra do dramaturgo. “Em seus textos, ele apresenta, em diferentes abordagens, a relação entre presença e ausência. Neste novo programa, o ritmos destas aparições e apagamentos foi o ponto de partida”, afirma o diretor Fernando Guimarães. Esse é um dos grandes temas apresentados por Beckett, que surge em cena em suas mais variadas facetas como: presença e ausência; som e silêncio; luz e sombra, entre outros.
Ciclo de Conversas
Para ampliar o debate e difundir a obra de Samuel Beckett, de 11 a 16 de agosto, o projeto “Sozinho Juntos” apresenta “A materialidade do ausente”, uma série de conversas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Pensadores falarão de suas experiências com textos e obras do irlandês. Para abrir a o ciclo de conversas, a curadora e crítica de arte Marilia Panitz, na segunda-feira, 11, às 19h30, fala dos vértices que compõem a obra de Beckett e traça uma linha entre o trabalho do dramaturgo e o a produção teatral realizada pelos Irmãos Guimarães. Ao final da palestra, será lançado o livro “Nada expandido”, que recolhe os textos produzidos para o projeto homônimo apresentado em 2013 no CCBB – Brasília.
Na quarta-feira, 13 de agosto, o coordenador do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake Paulo Miyada fala da disputa pelos modos de vida e das imagens do mundo contemporâneo urbano e seus reflexos na produção artística. Na quinta-feira, 14, o historiador da arte Josué Mattos, ao discorrer sobre as hipotéticas condições do mundo sem o inexistente, pretende construir um lugar para pensar a arte e a figura do artista. No dia 15, sexta-feira, o professor da Universidade de São Paulo e tradutor de textos beckettianos para a Editora Cosac Naify Fábio de Souza Andrade fala da solidão e da companhia na obra de Beckett. Encerrando “A materialidade do ausente”, Stanley E. Gontarski, um dos principais estudiosos da obra de Beckett, falará das perguntas que nos fazemos ao entrarmos em contato com os textos do dramaturgo. As conversas começarão sempre às 19h30, no Teatro II do CCBB. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos.
Veja a seguir, a programação completa do ciclo de conversas “A materialidade do ausente”:
MARÍLIA PANITZ – Quadrangulares
Partindo dos cinco trabalhos de Samuel Beckett – Passos, Ato sem Palavras I, Quad, Trio Fantasma e Nacht und Traume (Noite e Sonho), a fala levanta a hipótese de que há um mesmo movimento simbólico comum entre os elementos estruturais das narrativas, organizados em um quadrado cujos vértices são: luz/sombra; som/música; personagem; e fantasma. As relações dos deslocamentos que se fazem entre os vértices dialogam com certas indicações de Beckett para as montagens e com os diálogos que Adriano e Fernando Guimarães vêm estabelecendo com o dramaturgo ao longo dos anos.
Dia 11 de agosto, segunda-feira, às 19h30
Local: Teatro II – CCBB – Brasília
SCES, Trecho 2, lote 22 – Asa Sul
Entrada gratuita
Telefone: (61) 3108-7600
PAULO MIYADA – A cidade, a TV, a boca de cena: Enquadramentos da vida moderna
Uma conversa sobre o que cidades modernas e televisores têm em comum. De um lado, os conteúdos publicitários e ideológicos do urbanismo e, do outro, o caráter prescritivo da televisão – entre ambos, a disputa pelos modos de vida e, diante deles, as imagens do mundo produzidas pelo teatro e pela arte contemporânea.
Dia 13 de agosto, quarta-feira, às 19h30
Local: Teatro II – CCBB – Brasília
SCES, Trecho 2, lote 22 – Asa Sul
Entrada gratuita
Telefone: (61) 3108-7600
JOSUÉ MATTOS – O que seria do mundo sem as coisas que não existem?
Ao discorrer sobre as hipotéticas condições do mundo sem o inexistente, pretende-se construir um lugar para pensar a arte e a figura do artista. Isso porque, serão evocados alguns exemplos de ações artísticas de diferentes horizontes, que interrogam a condição em que a sensação da falta ocasionada pelo inexistente surge. Ou seja, caberá pensar em momentos em que uma cidade, um país, mas também um objeto ou um pensamento inexistente, poderá se tornar essencial para redesenhar a história da arte e da sociedade atuais. Estruturado pela via do anacronismo e situado em torno de um projeto curatorial transdisciplinar, a frase acima conduzirá o debate em torno de ideias que traduzem o “inexistente como insistência”.
Dia 14 de agosto, quinta-feira, às 19h30
Local: Teatro II – CCBB – Brasília
SCES, Trecho 2, lote 22 – Asa Sul
Entrada gratuita
Telefone: (61) 3108-7600
FÁBIO DE SOUZA ANDRADE – Sozinhos juntos: figurações da solidão e da companhia nos dramatículos beckettianos
Rupturas e trajetórias cruzadas (de gêneros, de formas) marcam a produção final de Samuel Beckett, da prosa ao palco, do palco à tela, da tela à escuta silenciosa, e de volta. Como a primazia das imagens e a ênfase na narrativa em cena configuram a absoluta novidade formal de suas brevíssimas peças deste período (That time, Footfalls, Rockaby e Ohio impromptu)? Como esses “dramatículos” dão forma nova a um tema beckettiano por excelência: a busca pelo isolamento e a inevitabilidade da companhia, mediadas pela insuficiência e os excessos da linguagem?
Dia 15 de agosto, sexta-feira, às 19h30
Local: Teatro II – CCBB – Brasília
SCES, Trecho 2, lote 22 – Asa Sul
Entrada gratuita
Telefone: (61) 3108-7600
STANLEY E. GONTARSKI – Samuel Beckett: As perguntas que nos fazemos
Stanley E. Gontarski é referência incontestável dos estudos beckettianos. Ele viaja pelo mundo realizando palestras sobre a obra de Samuel Beckett. É autor de diversos livros e artigos sobre o irlandês, entre eles The Grove Companion of Samuel Beckett, editor dos Theatrical Notebooks of Samuel Beckett – Endgame e Theatrical Notebooks of Samuel Beckett – Happy Days (Faber), editor por anos do Journal of Beckett Studies, diretor teatral e responsável pela adaptação cênica de Company. Stanley trabalhou com Beckett em diversas montagens nos Estados Unidos e o dramaturgo irlandês escreveu para ele a peça “improviso de Ohio”. Em Brasília, o palestrante falará, a partir de uma perspectiva global, sobre aspectos da atual recepção crítica, acadêmica e criativa da obra do autor de Esperando Godot.
Dia 16 de agosto, sábado, às 19h30
Local: Teatro II – CCBB – Brasília
SCES, Trecho 2, lote 22 – Asa Sul
Entrada gratuita
Telefone: (61) 3108-7600