Raquel Martins Ribeiro
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Já se passaram mais de 120 anos desde a publicação da primeira tirinha, que originou a linguagem das histórias em quadrinhos, assim como as vemos hoje. Desde então, marcas como Marvel, DC e Archie conquistaram fãs no mundo todo, colecionadores que vão atrás de toda novidade que surge nesse gênero. Importante destacar que nem só de super heróis sobrevivem os quadrinhos. Acabam de chegar às livrarias, três títulos que vão agitar os aficionados por HQs no Brasil.
O primeiro livro reúne entrevistas com os principais quadrinistas mundiais, no livro Universo HQ Entrevista. O segundo lançamento resgata os primórdios desse segmento, com uma seleção de mais de 100 artistas, feita pelo editor Rogério Campos, em Imageria. A terceira publicação apresenta o polêmico Robert Crumb e sua revista Viva a Revolução!, traduzida e publicada recentemente, também, pela editora Veneta.
O Universo HQ, um dos sites referências do País no assunto, está completando 15 anos. Para comemorar, o jornalista e especialista em HQs, Sidney Gusman, reuniu 23 entrevistas realizadas com artistas renomados como Will Eisner, Ivo Milazzo e Joe Kubert em Universo HQ Entrevista. “Nós contextualizamos e atualizamos cada entrevista. Dizemos como cada quadrinista está, e o que faz no momento. O livro funciona como uma mini-enciclopédia de cada um dos autores”, explica Sidney.
Com cerca de 300 notas, cada entrevistado ganhou uma caricatura feita especialmente pelo ilustrador brasileiro Baptistão, entre eles, Mark Waid, Lourenço Mutarelli, Neil Gaiman e John Byrne. “Queríamos dar uma unidade visual ao livro, por isso pensamos no Eduardo. E isso tem feito o maior sucesso, é uma das coisas mais elogiadas por todos que já adquiriram”, conta.
No Brasil, quadrinistas independentes dão novo fôlego ao mercado. É o que acredita Gusman. “Está faltando que as publicações independentes cheguem para mais leitores”, aponta. De acordo com ele, apenas alguns artistas estão indo para as livrarias.
Enquanto o mercado independente produz verdadeiras pérolas, mas que não chegam ao mercado, outras editoras investem em iniciativas como o social comics. “O leitor de quadrinhos é um colecionador nato. Os autores estão buscando alternativas para suprir essa lacuna no mercado, como a venda pela internet”, conclui.
Brasília e as quadrinistas mulheres
“O Brasil está vivendo seu melhor momento em relação a quantidade, qualidade e variedade de quadrinhos. Brasília, por exemplo, se destaca por ter mulheres criando suas próprias histórias em quadrinhos, além das obras experimentais”, afirma Rogério Campos, fundador da editora Veneta, especialista em publicações neste segmento.
Para ele, a internet possibilitou que jovens pudessem divulgar e vender seus trabalhos, sem a dependência das bancas de revistas, ou até mesmo das grandes editoras. “As livrarias especializadas também supriram boa parte dessa necessidade de divulgação”, explica.
Memória

Aproveitando a boa fase para os quadrinistas brasileiros, ele acaba de lançar seu próprio livro, Imageria, que resgata a memória das revistas publicadas entre o início do século 14 até o ano de 1910. “Eu fiz esse livro pensando nos produtores de quadrinhos. Eu acho necessário mostrar como eles surgiram. Mas ele também aproveita a boa fase atual e faz o convite de se olhar ao passado para fortalecer nossas bases”, considera Campos.