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Viva

Obra acompanha trajetória do grupo britânico The Cure até se tornar megabanda

Arquivo Geral

22/06/2015 7h00

André Barcinski

Especial para o Jornal de Brasília

Nenhuma banda fez tanto sucesso cantando sobre tanta tristeza. A música pop é, por definição, alegre e gregária. Como explicar, então, que um bando de rapazes melancólicos, falando sobre o horror de morar numa cidadezinha cinza e a sensação de não se encaixar no mundo, possa ter vendido mais de 30 milhões de discos e enchido estádios em todo o mundo?

Acaba de sair no Brasil Nunca É o Bastante – A História do The Cure, de Jeff Apter, biografia bem feita e informativa sobre o Cure e o seu líder, o enigmático e cultuado Robert Smith. O Cure surgiu em 1976, em Crawley, a cerca de 50 km de Londres. “Crawley é cinza e nada inspiradora, com uma névoa de violência pairando”, diz Smith.

O guitarrista e vocalista cresceu lendo gibis e histórias de terror e ouvindo a psicodelia de Jimi Hendrix e o rock andrógino de David Bowie e T-Rex. Em 1970, seu irmão mais velho, Richard, levou Robert, 11, para ver Hendrix no Festival da Ilha de Wight. Mas Richard arrumou uma garota e foi transar, deixando Robert sozinho na barraca. Hendrix morreria 18 dias depois.

Inspirações

Outras grandes influências de Robert foram a literatura existencialista francesa de Sartre e Camus, o folk lindo e depressivo de Nick Drake e – surpresa – o blues explosivo do escocês Alex Harvey.

O Cure estreou em disco com um LP minimalista de pós-punk, Three Imaginary Boys (1979). Mas foi com a tríade de Seventeen Seconds (1980), Faith (1981) e Pornography (1982) que Smith eternizou a sonoridade do grupo: canções lentas e atmosféricas, com letras que mais pareciam sessões de terapia.

Passagem pelo Brasil

O grupo passou por uma época pesada, em que a banda abusava de drogas e álcool.  Por volta de 1982, Robert Smith deu uma guinada, lançando músicas mais pop e acessíveis, como Let’s Go to Bed e The Lovecats. A MTV, que tinha acabado de estrear nos EUA, cansou de mostrar os clipes que Tim Pope fez para o Cure, e a banda explodiu.

 O livro de Apter conta a transformação do Cure, de um pequeno e despretensioso veículo para as divagações existenciais de Robert Smith, até virar uma megabanda de estádio. E o Brasil é citado: com sua típica verve melodramática, Smith lembra um show no Mineirinho, em Belo Horizonte, lotado, em 1987: “Corpos eram carregados às centenas, mas com sobreviventes ainda cantando loucamente enquanto íamos embora”.

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