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Viva

O mestre das gravuras

Arquivo Geral

11/03/2014 8h00

Prestes a completar 90 anos, o artista plástico Milan Dusek reverencia as gravuras que criou – e que continua criando – como se fosse uma musa da belle époque. E como grande admirador que é, preenche cada espaço de sua casa no Lago Norte, onde mora desde 1972, com reproduções dos mais variados estilos. Em todos esses registros, grande parte inédita aos olhos do público, a ironia se sobressai.

“No começo, a gravura foi imaginada como algo utilitário, a natureza humana foi se aperfeiçoando, evoluindo. Hoje a olhamos como arte”, explica em tom professoral. “Talvez pela curiosidade e vontade de explorar o trabalho manual, em fazer com que as emoções fossem transmitidas pelas mãos”, observa.

Exposição e online

Com mais de 70 anos de vida dedicados à arte, Milan Dusek tem sua vasta obra revisitada agora com dois projetos importantes. O primeiro é a exposição Milan Dusek – Obra Gravada, aberta ao público, a partir de hoje, no Memorial Darcy Ribeiro – Beijódromo, campus da Universidade de Brasília (Asa Norte), com 14 gravuras.

A outra novidade é o lançamento do catálogo virtual de mesmo nome, que está à disposição na internet pelo endereço issuu.com/milandusek.obragravada/docs/milan_dusek_obra_gravada. O volume digital, recheado de ensaios críticos e depoimentos de artistas plásticos admiradores do trabalho de Dusek, reúne 180 trabalhos de gravuras, realizados pelo artista entre 1959 e 2001. Os destaques são obras com traços clássicos como Rio Antigo (1960) e o simbólico BsB In The Sky With Diamonds (sem data), uma brincadeira com o título da clássica canção dos Beatles.

Fugindo do clichê de cartão postal

Nascido em Praga, na antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca), Milan Dusek desembarcou no Rio com sua família em 1939, fugindo do fantasma do nazismo. As primeiras aulas de pintura foram com um amigo. Logo, estava apto em outros segmentos das artes plásticas, como escultura e gravura. “O mundo mudou muito nos últimos anos. Quando a máquina fotográfica surgiu, foi um tapa na cara da pintura”, lamenta.
 
Quando chegou em Brasília, no início da década de 1970, ele e a família estranharam a paisagem árida da cidade. Aos poucos, o olhar de artista foi se acostumando com os horizontes amplos. Apesar disso, ele evita cair no clichê comum de alguns colegas. “Sempre quis pintar a cidade sem deixá-la parecendo um cartão-postal”, finaliza.

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