Um advogado de sucesso que enriqueceu defendendo gente importante precisa voltar a sua terra natal após a morte repentina da mãe. Lá, ele tem de enfrentar os fantasmas do passado, representados por seu pai, um tradicional juiz linha dura que nunca aprovou o estilo de vida do filho. A premissa pode ser bem batida, mas O Juiz sabe explorar os clichês dos dramas familiares hollywoodianos com muita eficiência. Roteiro inteligente, direção apurada e um inspirado Robert Duvall fazem do longa-metragem, que tem metade da história ambientada num tribunal, um filme muito interessante.
Aliás, o filme lembra muito outro excelente drama, lançado no ano passado, protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, que passam por situação semelhante ao interpretarem mãe e filha que se odeiam no drama Álbum de Família. Em O Juiz, Robert Downey Jr. é Hank Palmer, que se vê obrigado a defender o pai, o juiz Joseph Palmer (Duvall), que se envolve em um caso de atropelamento seguido de morte. A relação complicada dos dois rende momentos memoráveis, como quando o filho precisa dar banho no pai depois de um incidente no banheiro, consequência de uma doença que acomete o personagem de Duvall.
Com direito a coadjuvantes de luxo, como Billy Bob Thornton, Vincent D’Onofrio e Vera Farmiga, todos em atuações bastante competentes, O Juiz consegue transcender os gêneros “filme de tribunal” e “drama familiar”, se apropriando do melhor dos dois mundos. Mérito dos atores, é claro, mas também do roteiro acertado de Nick Schenk (Gran Torino) e Bill Dubuque, e da direção precisa de David Dobkin (Penetras Bons de Bico).
Ator versátil
Duvall, do alto de seus 83 anos, rouba a cena ao dar uma aula magistral de atuação na pele do juiz de ética quase inabalável. Mas o filme consegue também a façanha de agradar diferentes tipos de público, já que aposta no carisma de Downey Jr., super-herói de franquias como Homem de Ferro e Os Vingadores. O versátil ator consegue se sair bem, mesmo sem fazer uso de explosões e armadura high-tech. Entrega uma performance digna do ator que arrebatou várias indicações e prêmios, em 1992, ao interpretar Chaplin, no filme homônimo.
Possibilidade de uma estatueta
Há um burburinho em Hollywood de que o ator Robert Duvall deve novamente aparecer na seleta lista dos indicados ao Oscar. Se acontecer, será a sétima vez que concorre. “Penso nisso, sim, às vezes”, admite. “Acho que há uma preocupação enorme no nosso meio sobre o Oscar, até demais. Mas as carreiras também são construídas com prêmios”, diz Duvall, que até hoje levou um troféu de melhor ator por A Força do Carinho (1983). Se tem alguém que pode falar com conhecimento de causa é Duvall. Prestes a completar 55 de carreira, atuou em seis produções da lista do American Film Institute (AFI) sobre os cem melhores filmes do século 20, mais do que qualquer outro ator ainda vivo: O Sol é Para Todos, M.A.S.H, O Poderoso Chefão, O Poderoso Chefão II, Rede de Intrigas e Apocalypse Now.