Eles mentem, roubam, chantageiam e até matam. Carregam sentimentos como ganância, inveja e falsidade. Mesmo assim, personagens que carregam características negativas conseguem conquistar o público nas novelas. Há quem diga que o motivo da atual novela das 21h, Em Família, que se despede da programação da Globo esta semana, ter derrapado na audiência é justamente a ausência de um vilão. A novela de Manoel Carlos tem sua famosa Helena, triângulos e quadriláteros amorosos, personagens polêmicos e até luta de classes, mas nem sinal de um arqui-inimigo capaz de fazer as piores atrocidades com quem quer que seja.
Do ponto de vista da estrutura narrativa, os vilões servem para chacoalhar a trama e, ao infernizar a vida dos mocinhos, apimentam as populares histórias que os brasileiros acompanham diariamente na telinha. Jogar uma criança ou um bebê no lixo é algo extremamente cruel e criticado pela sociedade. O mesmo se pode dizer por incriminar alguém da própria família. Seja pelo humor ou pela coragem de cometer atos cruéis, eles se destacam da normalidade com atitudes politicamente incorretas.
A maior prova disso é o bordão “Quem matou Odete Roitman?”, que surgiu em 1988 na novela Vale Tudo, recordado até hoje pelos telespectadores brasileiros. A maldosa Odete Roitman, interpretada pela atriz Beatriz Segall, é apenas um exemplo clássico de vilão inesquecível da teledramaturgia brasileira.
Sucesso na rede
A melhor vingança para um vilão de novela é ser mais lembrado (e, às vezes, até mais querido) que o mocinho, permanecendo para sempre no imaginário popular. Félix, o vilão de Amor à Vida (2013), ganhou várias páginas na internet com seu nome e é meme de sucesso na rede até hoje. O jeito afetado do vilão caiu nas graças do público e foi considerado por muitos o sucessor de Carminha, vivida por Adriana Esteves em Avenida Brasil (2012).
Mocinhos precisam virar o jogo
Para o colunista de TV Flávio Ricco, que assina a coluna Canal 1, publicada diariamente pelo JBr., “Em toda novela que se preze, ou qualquer outra história que se conte, a figura do mocinho e bandido sempre foram quase que imprescindíveis”.
Ele explica que o marco aconteceu a partir de Senhora do Destino (2004), de Aguinaldo Silva, caso em que a figura do vilão – no caso uma vilã, Nazaré Tedesco –, cresceu de forma fundamental. “E, não tenham dúvidas, até que os mocinhos encontrem um jeito de virar esse jogo, essa é uma situação que deve prevalecer”, opina o colunista.
Nazaré Tedesco
Interpretada com maestria por Renata Sorrah, a fama da imbatível Nazaré Tedesco continua. A artista conta que as pessoas ainda a reconhecem como a personagem, mesmo após dez anos. “Ela era uma vilã de quinta. As coisas sempre davam errado, mas seu humor cativou o público. Até chegaram a dizer que a Carminha, de Avenida Brasil (2012), era filha da Naza”, brinca a atriz.