Quando Para Sempre Cinderela foi lançado, em 1998, Drew Barrymore deu brilho feminista ao clássico personagem. Anne Hathaway enfrentou ogros e cobras em uma versão mais espalhafatosa, em Uma Garota Encantada. E mais recentemente, Anna Kendrick apresentou uma Cinderela após o “felizes para sempre”, no longa Caminhos da Floresta. Diante tantas adaptações, algumas boas, outras nem tanto, chegou a vez da Disney lançar seu live-action sobre a história da famosa princesa.
O estúdio criou a tendência de filmar reboots (expressão usada para falar de filmes que ganharam um reinício) e, nos últimos anos, lançou bombas como Alice no País das Maravilhas, Oz: Mágico e Poderoso e o regular Malévola. Oz é a continuação de um musical estrelado por Judy Garland, os outros são novas versões de desenhos animados. O novo filme Cinderela, dirigido por Kenneth Branagh (Thor) e escrito por Chris Weitz (Um Grande Garoto), simplesmente impressiona.
A história já está no imaginário do espectador, mas Cinderela foi feito para inspirar, encantar e fazer aquilo que a Disney faz de melhor: hipnotizar ao fazer uso da magia dos contos de fada. Ella, interpretada por Lily James, perdeu sua mãe ainda pequena. Anos depois, seu pai se casa com uma mulher chamada Tremaine. Com a morte do pai, Ella acaba virando empregada em sua própria casa. Mas, todos os dias, o ditado de sua mãe, “Tenha coragem e seja gentil”, lhe dá esperanças de uma vida melhor. Sua chance aumenta quando ela conhece o príncipe encantado Kit (Richard Madden).
Madrasta rouba a cena
Assim como Angelina Jolie em Malévola, Cate Blanchett cria uma madrasta fiel ao personagem de Chales Perrault e o clássico de 1950. Sua atuação é competente e não beira uma paródia, algo feito por Julia Roberts em Espelho, Espelho Meu. A madrasta de Blanchett é prisioneira de sua própria personalidade e acaba surpreendida por Cinderela: Como você pôde? Com uma resposta pungente, a má devolve: Como eu não poderia? Sua amargura devido ao futuro incerto é transposto em cena. Blanchett dá brilho ao personagem deixando essas características vívidas.
Efeitos na medida certa
Também no elenco do filme, Helena Bonham Carter é outra surpresa, na pele da fada madrinha. Mesmo que não apareça muito em cena, sua narração tem um ótimo desempenho. A protagonista Lily James, conhecida por sua atuação na série de sucesso inglesa Downton Abbey, traz a simpatia e genuinidade necessárias para conquistar os fãs.
Não é surpresa que o diretor consiga algo bom, mas os efeitos especiais da nova versão do conto de fadas estão em segundo plano, com belas, mas discretas sequências, se comparadas às do festival de computação gráfica utilizado em Malévola. Sendo que a cena mais bonita, da clássica troca de vestidos, tem a ressonância perfeita do clássico desenho de Walt Disney.
Direção
Se existe algo em que Branagh faz bem é sua direção teatral shakespeariana, algo que pode ser visto em Thor e Henrique V (filme que lhe garantiu uma indicação ao Oscar de melhor direção). Talvez seja esse o maior trunfo de Cinderela, a sensibilidade narrativa e a construção da persona de Ella. A história da menina pobre que ganha o coração do príncipe não poderia ter caído em mãos melhores.
A película tem o drama como essência, sendo uma homenagem ao cinema clássico, sem a necessidade de usos exagerados da tela verde. Se a Disney se empenhou para fazer Cinderela, vamos rezar para que o esforço seja proporcional em seus próximos reboots. Que venha A Bela e a Fera.