Quem nunca teve a vontade de voltar ao passado e tomar uma atitude diferente? A experiência adquirida com o passar dos anos faz com que as pessoas mudem suas atitudes e percepções da vida. O problema é que, muitas vezes, o amadurecimento chega tarde demais. O filme Um Bairro Distante fala justamente da possibilidade de uma segunda chance.
Thomas Verniaz (Pascal Greggory, de Piaf – Um Hino ao Amor) é um quadrinista melancólico que, após perder a estação de trem, acaba indo parar em sua antiga cidade, no interior. Um lugar onde passou toda a infância. Ele, então, aproveita a viagem para visitar o túmulo da mãe e acaba dormindo em meio a lembranças.
Ao acordar, Thomas tem uma surpresa: está 40 anos mais jovem, de volta ao ano de 1967. Com a maturidade de um homem experiente, ele se vê no passado, quando ainda era pré-adolescente. E revê pessoas que fizeram parte da sua vida, enxergando situações e pessoas com novos olhos.
O futuro
Revivendo namoros juvenis e amizades que não duraram na fase adulta, o protagonista tenta evitar um fato marcante: o abandono do pai (Jonathan Zaccaï, de Robin Hood), que deixou a família para trás e fez com que sua mãe (Alexandra Maria Lara, de Rush: No Limite da Emoção) entrasse em depressão.
Um Bairro Distante fala sobre como as coisas da vida são importantes, independentemente de serem boas ou não. E o personagem descobre o real valor das lembranças , tanto de tristeza como da felicidade.
Com direção do alemão Sam Garbarski (Irina Palm), o longa europeu é sensível e bonito. Boa parte do resultado positivo se deve ao talento do jovem Léo Legrand (A Cidade das Crianças), que interpreta o protagonista que volta no tempo. Ele realmente convence como um homem amargurado – por conhecer o futuro – no corpo de um jovem.