Peça teatral da Broadway, Caminhos da Floresta é vencedora do prêmio Tony. É um material reluzente, sombrio e uma mistura divertida de análises freudianas, releitura das obras dos autores Edward Albee, Pirandello e dos Irmãos Grimm. Sua adaptação para os cinemas, dirigida por Rob Marshall (Chicago), é subversiva, mas também inconstante.
O compositor das músicas, Stephen Sondheim, se afasta ao máximo da fórmula musical ‘felizes para sempre’ para mostrar um universo em que os pássaros mágicos de Cinderella cegam os personagens abusivos. E a Chapeuzinho Vermelho pré-adolescente é seduzida pelo Lobo Mal (Johnny Depp).
Desafio
Dentre vários clássicos, a história é focada em um padeiro e sua esposa, interpretados por James Corden e Emily Blunt, que precisam desfazer um feitiço lançado contra o pai do personagem de Corden. A maldição impede o casal de ter filhos e, por isso, a Bruxa Má (Meryl Streep) dá uma tarefa aos dois para que consigam ter o sonhado filho. O desafio é unir a vaca branca do João e o Pé de Feijão, os cabelos de Rapunzel, o capuz da Chapeuzinho Vermelho e os sapatos dourados da Cinderella. Todos os personagens se encontram em uma floresta comum, onde números musicais são apresentados.
Destaque para a atuação de Emily Blunt, com uma interpretação sincera, graça e inteligência. Meryl Streep já esteve melhor, e não apresenta nada novo. Chris Pine e seu príncipe clichê garantem algumas gargalhadas durante a performance da canção Agonia.
O filme não deve criar expectativas nos fãs de musical. Uma apresentação respeitável, mas não única no gênero, vertente em que Rob Marshall se destacou ao filmar Chicago, mas quase se destruiu com Nine.