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Música

No Dia Mundial do Rock, Plebe Rude revisita clássico que segue atual após 40 anos

No embalo do relançamento do álbum que marcou o BRock e da celebração dos 45 anos da Plebe Rude, André X reflete sobre legado, desigualdade e a permanência das músicas em um Brasil que ainda convive com velhos problemas

Aline Teixeira

13/07/2026 5h00

Atualizada 12/07/2026 19h52

Plebe Rude. Foto: Caru Leão

Quarenta anos se passaram desde que a Plebe Rude lançou “O Concreto Já Rachou”, um dos discos mais importantes do rock brasileiro. O álbum, que ajudou a consolidar o BRock na década de 1980, ganha uma edição comemorativa em 2026, com versão em vinil, demos inéditas, documentário e uma nova gravação de “Até Quando Esperar”, agora com a participação de Herbert Vianna e Jacques Morelenbaum.

O relançamento chega em um momento simbólico: além dos 40 anos do disco, a banda celebra 45 anos de carreira em julho, mês em que também é comemorado o Dia Mundial do Rock, celebrado nesta segunda-feira (13).

Mais do que revisitar um clássico, a nova edição convida o público a refletir sobre um álbum que continua dialogando com o presente. Em entrevista ao Jornal de Brasília André X, baixista e fundador da Plebe Rude, a permanência dessas músicas revela que muitas das questões que inspiraram suas letras continuam sem resposta.

“Quando escrevemos essa música, eu era apenas um jovem na faixa dos vinte anos. Não pensava em legado. O que me movia era uma sensação constante de desconforto diante das desigualdades que eu via todos os dias”, afirma.

Segundo ele, “Até Quando Esperar” nasceu da percepção de que diferentes realidades conviviam lado a lado nas cidades brasileiras. “As pessoas dividiam as mesmas ruas, os mesmos bairros, mas viviam existências que raramente se cruzavam. Enquanto uns podiam sonhar, outros precisavam gastar toda a energia apenas para sobreviver”, explica.

Quatro décadas depois, André acredita que o cenário mudou menos do que imaginava. “O mais doloroso é perceber que continuamos convivendo com as mesmas distâncias humanas, agora agravadas por uma sociedade cada vez mais fragmentada. Talvez seja exatamente por isso que essa música continue viva. Enquanto houver pessoas impedidas de sonhar porque precisam apenas sobreviver, a pergunta de ‘Até Quando’ continuará fazendo sentido.”

Muito além do punk

Embora as letras de crítica social tenham se tornado a marca registrada da banda, André destaca que a identidade musical da Plebe sempre foi construída com o mesmo cuidado.

“Eu acho que o principal da Plebe são os arranjos, as duas guitarras, as duas vozes, as partes diferentes que vão além do refrão. Queríamos fazer músicas tão complexas e interessantes quanto as bandas que mais admirávamos. As letras eram a parte cerebral; a musicalidade era a parte emocional da composição.”

Herbert Vianna e uma parceria que atravessa gerações

Entre as novidades da edição comemorativa está uma nova performance de “Até Quando Esperar” com Herbert Vianna, responsável pela produção do álbum original de 1986.

Para André, a participação tem um significado que vai muito além da música. “Sua presença foi decisiva em momentos que mudaram o rumo da banda. Foi ele quem acreditou na Plebe o suficiente para abrir as portas da EMI e viabilizar nosso primeiro álbum. Há pessoas que participam de uma trajetória. Outras ajudam a transformá-la. Para nós, Herbert sempre esteve no segundo grupo.”

Um olhar diferente para o passado

O material inédito também fez a banda revisitar sua própria história. Ao ouvir as demos e acompanhar a produção do documentário, André diz que percebeu algo que, na juventude, passava despercebido.

“Philippe e eu deveríamos ter olhado para a banda como algo de longo prazo. Vivíamos muito o momento e deixamos muitos acontecimentos atrapalharem uma consolidação maior. Mas, olhando hoje, vejo tudo o que conquistamos em 40 anos. Com Clemente e Capucci, temos uma consciência muito maior de banda e de legado. Não tenho do que reclamar.”

Quarenta anos depois do lançamento de “O Concreto Já Rachou”, a pergunta que deu origem ao maior sucesso da Plebe Rude permanece atual. Em tempos de transformações sociais, polarização e desigualdade, o álbum reafirma por que continua sendo uma das obras mais importantes do rock nacional: não apenas pelo som, mas pela capacidade de provocar reflexão, exatamente como o rock sempre se propôs a fazer.

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