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Música

Mulheres recebem apenas 10% dos direitos autorais na música em 2025

Estudo da UBC destaca avanços no cadastro de obras, mas persistência de desigualdades de gênero, assédio e impactos da maternidade na carreira

Redação Jornal de Brasília

15/03/2026 11h32

aulas de violão

Freepik

Um estudo da União Brasileira de Compositores (UBC) revela que apenas 10% dos direitos autorais na indústria da música foram destinados a mulheres em 2025. Entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais, somente 11 são mulheres, com a melhor colocação feminina melhorando de 21º para 16º lugar. Os dados integram a edição 2026 do relatório ‘Por Elas Que Fazem Música’, que analisa as condições das mulheres no setor e a desigualdade de gênero.

As autoras concentraram 73% do total recebido pelas mulheres, enquanto versionistas e produtoras fonográficas ficaram com 1% cada. Intérpretes reúnem 23% e as executoras, 2%. O estudo aponta crescimento expressivo no cadastro de obras e fonogramas com participação feminina: o total de fonogramas registrados por produtoras subiu 13%, e obras por autoras e versionistas, 12%. Isso indica uma melhoria na presença das mulheres não só como intérpretes, mas também nos bastidores da produção musical.

A quantidade de mulheres associadas à UBC aumentou 229% desde a primeira edição do relatório, em 2017. No entanto, a entidade avalia que a presença feminina ainda precisa ser fortalecida em diversas áreas. A maior concentração de mulheres na música está nas regiões Sudeste (60%), Nordeste (17%) e Sul (11%), totalizando 88%, enquanto o Norte representa apenas 3%.

Um levantamento digital com mais de 280 mulheres, realizado no primeiro bimestre de 2026, mostrou que 65% sofreram assédio profissional, sendo 74% sexual, 63% verbal e 56% moral. Quanto à violência, 35% relataram atos, com 72% psicológica, 58% toque físico sem consentimento e 38% verbal. Na discriminação, 63% foram ignoradas ou interrompidas em contextos profissionais, 59% ouviram comentários desqualificando sua competência e 52% tiveram créditos omitidos ou minimizados.

Além disso, 60% das mulheres com filhos sentiram interferência da maternidade em suas carreiras, com redução de convites, oportunidades e viagens, além de comentários negativos. Os segmentos de rádio e shows foram os mais lucrativos para elas, cada um com 17% da arrecadação total feminina, seguidos por streaming (11%). O cinema representa apenas 0,5%. A música é a principal fonte de sustento para 55% das profissionais, e 37% atuam no setor há 21 anos ou mais.

Desde 2023, a cantora e compositora Paula Lima preside a UBC, a primeira mulher no cargo. Mulheres ocupam mais de 57% dos postos de liderança na entidade, e todas as filiais são gerenciadas por elas. ‘A ampliação da presença feminina na UBC tem um impacto direto na indústria musical, porque representatividade transforma estruturas’, disse Paula Lima à Agência Brasil.

A diretora Fernanda Takai destacou que o desequilíbrio reflete a história do país e defendeu educação, incentivo e visibilidade para uma melhora sólida. A gerente Mila Ventura enfatizou ações como o SongCamp Por Elas Que Fazem a Música, cuja terceira edição ocorrerá neste ano, para conscientizar e incentivar a participação feminina.

Com informações da Agência Brasil

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