Depois de oito meses de oficinas intensas de técnica vocal à composição autoral, o projeto “Eu Sou Músico” reúne dez jovens de São Sebastião (DF) que entram na reta final para ocupar o palco no próximo domingo (9), e cantar suas próprias histórias na quadra poliesportiva da quadra 104 da região.
A iniciativa é voltada para jovens negros da região, com dez vagas, incluindo duas reservadas para pessoas com deficiência (PcD). Participam Júlia Almeida, Teles, Ogflow, Caio Santos, Guilherme Singe, Walysson Soares, Alevic, Kevilly Mota, Lucas Rodrigues e Noemi Marques. Alguns nunca haviam subido num palco. Outros carregavam canções guardadas em cadernos. Mas todos tinham algo em comum: a vontade de transformar a música em caminho.
O percurso formativo começou com a Oficina de Técnica Vocal, Teoria Musical e Presença de Palco, conduzida pela cantora e professora Carol Voigt. Em seguida, o produtor musical Daniel Pitanga orientou os jovens na criação de composições autorais, ajudando a transformar vivências em letra, melodia e arranjo.
Ao longo do processo, as mudanças foram visíveis. “Eles ganharam mais confiança no que estão fazendo, passaram a entender melhor sua identidade como artistas e como se posicionar no palco, além de se tornarem compositores”, afirma Sherwin Morris, idealizador do projeto. Segundo ele, o desenvolvimento técnico caminhou junto com o crescimento pessoal. “Notamos um aumento significativo na autoconfiança e na autoestima. Muitos começaram inseguros, mas foram se fortalecendo e se permitindo ocupar espaços, sendo vistos e ouvidos.”
Algumas trajetórias ajudam a traduzir esse impacto. Guilherme Singe, por exemplo, passou a se apresentar nas ruas com seus próprios equipamentos. Já Lucas Rodrigues começou a realizar pequenos shows e a se afirmar como cantor diante do público. Outro destaque é Alevic, jovem com deficiência e integrante da comunidade LGBTQIAPN+, que se engajou profundamente nas atividades. Em relato, ele afirma que o projeto trouxe “um novo fôlego e mais motivação” para seguir na música.
“A música transforma, inspira e liberta. Mais do que um curso, este é um convite para que esses jovens descubram sua voz não só na arte, mas na vida”, destaca Sherwin.
Além da formação, o projeto garantiu ajuda de custo aos participantes durante todo o período. De acordo com a organização, a iniciativa reconhece que o desenvolvimento artístico também depende de condições materiais.
Após o encerramento, os jovens devem continuar sendo inseridos em atividades culturais promovidas pelo Instituto Cultural Congo Nya, como saraus e apresentações — muitas delas com cachê, incentivando a profissionalização. “Mais do que espaço de apresentação, queremos que eles sejam reconhecidos pelo trabalho que desenvolvem”, reforça o idealizador.
A equipe também já articula a segunda edição do projeto, com a meta de ampliar o número de participantes e fortalecer a cena cultural de São Sebastião.
Serviço:
Apresentação de encerramento do projeto “Eu Sou Músico”
Data: 9 de maio de 2026
Horário: a partir das 17hLocal: Quadra poliesportiva da quadra 104 de São Sebastião (em frente à sede do Instituto Cultural Congo Nya)Entrada gratuita