O Galpão 17 completa oito anos de história em Brasília e prepara uma programação especial para celebrar a trajetória dedicada ao rock’n’roll. Entre os destaques da comemoração está a apresentação de Dave Evans, primeiro vocalista principal do AC/DC, nesta sexta-feira (11). Já no sábado (12), a casa recebe o Camisa de Vênus, um dos nomes importantes do rock brasileiro.
Para Dave Evans, retornar ao palco é também uma oportunidade de continuar fazendo aquilo que acompanha sua vida há décadas. O músico segue gravando novas músicas e realizando turnês pelo mundo e, em entrevista ao Jornal de Brasília, relembrou os primeiros passos de sua carreira e a formação do AC/DC, período que, segundo ele, permanece muito presente em sua memória.
“Todo aquele período da minha vida e da minha carreira continua muito vivo até hoje. Foi uma experiência que mudou minha vida”, conta. Entre as lembranças, estão desde os primeiros encontros dos integrantes até os momentos que marcaram a rápida ascensão da banda.
Evans recorda que a formação do grupo começou em “um prédio comercial desativado que estava prestes a ser reformado”, em Newtown, Sydney, na Austrália. Foi naquele espaço que os músicos se conheceram e começaram a ensaiar para o primeiro show. A escolha do nome AC/DC, a estreia nos palcos e os primeiros trabalhos de estúdio também fazem parte das memórias que o cantor carrega daquela época.

A trajetória ganhou velocidade poucos meses depois. “A assinatura de um contrato de gravação apenas alguns meses depois de começarmos”, além da gravação das primeiras músicas e do primeiro videoclipe, são alguns dos acontecimentos que Evans destaca. Ele também se lembra da sensação de ouvir as próprias músicas no rádio enquanto elas conquistavam o público.
“Ouvir nossa música no rádio de hora em hora, à medida que ela se tornava um sucesso” foi uma das experiências marcantes daquele período. A agenda também levou o AC/DC aos maiores palcos da Austrália e, posteriormente, para uma turnê ao lado da lenda norte-americana Lou Reed. “Fizemos shows nos maiores e mais prestigiados locais da Austrália, a turnê com a lenda norte-americana Lou Reed, para grandes públicos com ingressos esgotados, além de tantas outras lembranças fantásticas”, relembra.
Mesmo décadas depois, Evans continua enxergando no rock uma força capaz de atravessar gerações. Para ele, a permanência do gênero está diretamente ligada à energia que a música provoca em quem escuta.
“É a batida básica e a energia da música, de uma forma positiva”, afirma. Na visão do cantor, essa característica faz com que o rock tenha uma comunicação imediata com o público. “Ela faz as pessoas felizes, que é o que todas as pessoas, em todo o mundo, querem e precisam. E é algo imediato.”
A conexão, segundo Evans, acontece assim que os primeiros acordes começam a tocar. “Basta tocar rock’n’roll e ele desperta as pessoas imediatamente, fazendo com que comecem a dançar, sorrir e se sentir bem”, resume.
Essa relação com o público brasileiro é justamente uma das expectativas para a apresentação em Brasília. Com uma longa carreira e diversas turnês internacionais, Evans demonstra entusiasmo ao falar sobre a recepção que espera encontrar no país.
“Eu só espero que os brasileiros façam muito rock, rock e mais rock, e mostrem ao mundo que o Brasil é o país mais maravilhoso de todo o mundo”, diz. O músico acrescenta que essa percepção não é apenas uma expectativa, mas algo construído a partir de sua própria experiência: “como eu sei por experiência própria, depois de uma longa e ativa carreira musical e de tantas turnês pelo mundo”.
A apresentação no Galpão 17 acontece justamente em um momento simbólico para a casa, que chega aos oito anos mantendo o rock como elemento central de sua identidade. Inaugurado em 22 de setembro de 2018, o espaço nasceu da transformação de um imóvel industrial em um ponto de encontro voltado à música, à convivência e ao motociclismo.
Desde o início, a estética industrial e o rock’n’roll ajudaram a definir a personalidade do Galpão 17. Com o passar do tempo, a casa também se tornou ponto de encontro da comunidade motociclista de Brasília e consolidou uma programação voltada ao gênero.

Durante aproximadamente cinco anos, mais de 95% da programação de rock oferecida pelo espaço teve entrada gratuita, com apresentações ao vivo de terça-feira a domingo. A proposta também dialoga com a própria história musical da capital, especialmente com a efervescência do rock brasiliense que marcou a década de 1980.
Ao longo de oito anos, o Galpão 17 atravessou crises econômicas e a pandemia mantendo uma operação independente, sem recursos provenientes de projetos governamentais ou leis de incentivo à cultura. A comemoração, portanto, representa não apenas mais um aniversário, mas a continuidade de um projeto que busca manter o rock como presença constante na cidade.
“Quando o Galpão 17 nasceu, existia uma vontade muito grande de criar um espaço onde o rock tivesse uma casa permanente em Brasília. Passamos por muitos desafios nesses oito anos, mas nunca abrimos mão desse propósito”, destaca Maurício Mercado, sócio do Galpão 17.
Para Dave Evans, a história, entretanto, ainda está longe de chegar ao fim. Mesmo depois de décadas na música, o cantor não olha para a carreira como algo encerrado ou pronto para ser resumido. “Eu não penso nisso, porque continuo gravando e lançando músicas novas todos os anos e fazendo turnês pelo mundo também todos os anos”, afirma.
O músico diz que ainda encontra motivação na possibilidade de levar sua música ao público. “Continuo ansioso para fazer as pessoas felizes e aproveitar seus rostos sorridentes.” E, quando questionado sobre o balanço de uma trajetória tão extensa, prefere deixar a resposta para outro momento: “Um dia, se eu parar, talvez eu possa olhar para trás e responder à sua pergunta.”
Por enquanto, a ordem é continuar na estrada. “Vamos continuar fazendo rock!”, finaliza Evans.
Serviço
Data: 8 anos do Galpão 17
Data: 11 e 12 de setembro
Local: Galpão 17
Programação: 11/09 – Dave Evans, Zero10 e DJ Wendel Souza
12/09 – Camisa de Vênus, Detrito Federal e Dj Wellinton
Ingressos: Dave Evans (AC/DC) – Galpão 8 anos em Brasília – Sympla
@galpao17df