O BTS anunciou ontem que não irá inscrever o álbum de comeback ARIRANG para concorrer ao Grammy deste ano. A decisão foi divulgada pouco depois de a Academia da Gravação apresentar cinco novas categorias para a premiação, entre elas a de Melhor Performance de Música Pop Asiática.
Em comunicado conjunto, RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jung Kook afirmaram que preferem não participar por receio de que artistas asiáticos sejam direcionados a categorias específicas.
“Decidimos não participar do Grammy este ano. Esperamos que a música em si possa ser ouvida e amada, em vez de ser distinguida por região ou idioma”, escreveu o grupo, que também agradeceu o apoio dos fãs.
A decisão repercutiu rapidamente entre admiradores do K-pop e levantou debates nas redes sociais sobre a criação das novas categorias. Parte do público questionou se a iniciativa poderia concentrar artistas asiáticos em disputas específicas, reduzindo suas chances de concorrer aos principais prêmios da noite, como Álbum do Ano, Gravação do Ano e Canção do Ano.
Diante da repercussão, o CEO do Grammy, Harvey Mason Jr., afirmou que respeita a escolha do grupo, embora tenha lamentado a ausência. “Fiquei triste ao saber que o BTS decidiu não participar do processo do Grammy este ano, mas, como criador de música, entendo e respeito a decisão deles”, declarou.
O executivo também explicou que a criação da categoria dedicada ao pop asiático tem como objetivo ampliar o reconhecimento de artistas da região, e não restringi-los.
“A categoria ‘Asian Pop’ foi criada para celebrar a profundidade, a diversidade e o extraordinário crescimento da arte pop vinda da Ásia. O espírito dessa nova categoria é dar um destaque dedicado a esses artistas importantes. Mais categorias significam que o trabalho de mais artistas é reconhecido. Nunca é para dividir, mas para ampliar quem é reconhecido pelos nossos 15 mil votantes do Grammy”, afirmou.
Mason Jr. ainda ressaltou que a inscrição em categorias de gênero não impede que um artista dispute as categorias gerais da premiação.
“Também quero deixar muito claro: inscrever músicas em uma categoria de gênero, como Asian Pop, Jazz ou Country, não impede que um artista também se inscreva e seja considerado nas categorias gerais, incluindo Gravação do Ano, Álbum do Ano e Canção do Ano. Essas categorias continuam abertas a qualquer gravação elegível, independentemente do gênero. O reconhecimento em uma categoria de gênero e o reconhecimento nas categorias gerais não são mutuamente exclusivos. Um artista pode, sim, buscar ambos”, explicou.
Ao encerrar o posicionamento, o CEO destacou que a Academia seguirá aberta ao diálogo com artistas de diferentes países e mercados musicais. “A organização do Grammy está aqui para servir à música e a todas as pessoas que a criam. À medida que continuamos a expandir nosso alcance, nossa base de membros e nossas premiações, independentemente de geografia ou idioma, quero enfatizar que continuaremos ouvindo a comunidade musical global e trabalhando para honrar e celebrar todos os artistas cuja música move o mundo”, concluiu.