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Música

BTS faz show grandioso e mais próximo dos fãs em retorno ao Brasil após sete anos

O BTS retorna ao Brasil para três apresentações, a primeira delas realizada nesta quarta (28), em São Paulo

Redação Jornal de Brasília

29/10/2026 9h01

O BTS anunciou que não vai inscrever o álbum Arirang no Grammy 2027 em protesto contra a nova categoria criada pela Recording Academy.

Foto: Reprodução

NATHALIA DURVAL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Uma plateia de 85 mil pessoas no estádio Morumbis canta, em coreano, uma canção folclórica que é um hino não-oficial da Coreia do Sul, “Arirang”. Os integrantes do BTS deixam os microfones de lado e observam o coro, enquanto telões exibem fãs usando “hanbok”, vestimenta tradicional. O trecho surge na música “Body to Body” e é momento-chave no show do grupo de k-pop.

O BTS retorna ao Brasil para três apresentações, a primeira delas realizada nesta quarta (28), em São Paulo, após sete anos. Agora, consolidado como o maior artista do pop sul-coreano e o grande responsável por expandir não só a música, mas a cultura coreana para todo o mundo.

A celebração das raízes da terra natal é o mote da turnê “Arirang”. É uma mudança de rumo do grupo, que vinha apostando numa estética e som chicletes e músicas cantadas inteiramente em inglês, mirando o mercado ocidental.

O septeto entrou em pausa em 2022 para que os integrantes —Jin, Suga, RM, J-hope, Jimin, V e Jungkook- prestassem o serviço militar obrigatório no país asiático. O retorno oficial foi em março, e havia expectativas sobre qual rumo tomariam: retomando o estilo antigo, desejado por parte dos fãs, ou mantendo o pop mainstream. O álbum “Arirang” mescla os dois.

A mudança é também estratégia da gravadora. Em documentário da Netflix, o criador do BTS, Bang Si-hyuk, afirma que seria icônico ver milhares de estrangeiros cantando o sample da canção folclórica. A ideia foi abraçada pelas fãs, que a transformaram numa competição para ver qual plateia canta mais alto.

Os elementos que resgatam a cultura tradicional coreana surgem ao longo da apresentação, em sons, imagens, figurinos e performances dos dançarinos. Antes do show começar, canções instrumentais tocavam e os telões exibiam imagens sobrepostas com a silhueta dos cantores e frases em coreano, sem tradução.

Às 20h, os sons folclóricos deram lugar a sintetizadores e as batidas fortes de hip hop de “Hooligan”. As imagens começaram a queimar e entrou vídeo ao vivo dos cantores chegando ao palco, vindos do gramado, entre os fãs.

O show foi bem diferente daquele de 2019, no Nubank Parque (antigo Allianz Parque), e fugiu do protocolo do gênero. A boyband abandonou elementos característicos, como os vídeos curtos com historinhas exibidos nas trocas de roupas, mais de um bis e as brincadeiras e longas pausas para conversar com o público.

Eles foram diretos e destacaram as músicas ao longo de 2h20. As coreografias intensas pelas quais ficaram conhecidos ficaram de lado: eles não dançavam na maioria das canções, com exceções como “Mic Drop”, e em outras dançaram apenas o refrão. Tampouco fizeram apresentações solo.
Ainda assim, conseguiam preencher o palco e manter a animação da plateia, que pulava sem parar. Os fãs também balançavam os “lightsticks”, bastões de luz que sincronizam com as canções, e batiam leques. Os astros passeavam pelas passarelas, interagindo com os presentes sem roteiro. Também brincavam entre eles.

Os sete falaram com o público quase que inteiramente em português, lendo frases prontas –outra estratégia para se aproximar da plateia-, e tinham apoio de uma tradutora.
Toda a performance e a estrutura do show foi pensada para ser mais próxima dos fãs, os principais responsáveis pelo sucesso estrondoso do BTS. O palco é 360º, com quatro passarelas que saem da pista central.

Uma plataforma redonda se elevava e girava, fazendo com que eles ficassem de frente para todos os lados em algum momento.

A instalação, porém, seguiu um padrão diferente na América do Sul em relação a todas as paradas anteriores. Em vez de 12 telões de LED que permitiam acompanhar a transmissão de todos os ângulos do estádio, foram instalados apenas quatro, integrados a uma torre central.

Dependendo da posição, o espectador ficava na esquina entre dois telões e não via a imagem completa. Em nota, a produtora Live Nation afirmou que a formatação é diferente na região devido a limitações logísticas e de cronograma. A diferença gerou revolta entre as Armys, como são chamadas as fãs.

Elas também reclamaram que o septeto não cantou “Idol” na pista, no meio do público, como fizeram em outros locais. A chuva que castigou os fãs durante toda a tarde parou durante o show.

A mudança de ritmo acompanha o amadurecimento dos artistas, hoje na casa dos 30 anos, após o hiato.

Músicas fofas ficaram de fora da setlist. Ela foca em “Arirang” e traz sucessos que combinam com essa fase, a exemplo de “Run BTS”, “Fire”, “Not Today” e “Fake Love”, apresentadas com novos arranjos. “Dynamite” e “Butter”, que os levaram ao estrelato global, também foram incluídas. Além disso, há duas músicas surpresas a cada parada. Nesta quarta, foram “Black Swan” e “Baepsae”.
O BTS começou em 2013, com som marcado por influências do hip hop e letras com críticas sociais, produzido pelo trio de rappers RM, Suga e J-hope. São raros os grupos de k-pop que passam de uma década. Eles estavam no auge como a maior boyband do pop global quando tiveram de entrar no Exército, em turnos.

Nesse intervalo, os membros investiram em projetos solo. Jin, Suga e J-Hope fizeram turnês mundiais, mas que ignoraram a América do Sul. O hiato não afetou a relevância do grupo, e o “comeback” veio com recordes. A turnê atual, que começou em abril e vai até 2027, soma mais de 80 datas.

Os fãs brasileiros acompanharam todas as fases do grupo. Eles vieram ao país pela primeira vez em 2014, quando eram escanteados pela indústria natal, e se apresentaram para 1.500 pessoas. Três anos depois, construíram uma base maior, mas ainda dentro do nicho. Foram dois dias esgotados no Vibra São Paulo, com capacidade para 7.000.

Em 2019, já tinham conseguido penetrar o mercado ocidental com pops mais mainstream, como “DNA” e “Boy With Luv”, e reuniram cerca de 80 mil pessoas em dois dias. Desta vez, chegam após o fenômeno “Guerreiras do K-pop” e a inclusão do pop sul-coreano pela primeira vez no Lollapalooza e Rock in Rio.

No festival carioca, o Stray Kids liderou o dia dedicado ao gênero. O grupo já tinha atraído cerca de 160 mil pessoas em três shows no ano passado. O BTS retomou o posto de maior público do k-pop no país, com 252 mil ingressos vendidos em três datas.

O show no Morumbis foi grandioso pela estrutura e pela demanda, que reforçou o impacto do BTS e da devoção das Armys. Tamanha euforia causou uma série de medidas inéditas. A Ticketmaster criou um sistema híbrido de vendas, com pré-reserva online e pagamento presencial.

O modelo buscava coibir o cambismo e impedir que fãs acampassem na bilheteria oficial –elas já tinham montado acampamento quando a vinda do grupo foi anunciada. Acampamentos e formação de filas também foram proibidas fora do estádio.
Ruas no entorno do Morumbis foram bloqueadas a partir das 8h e só entrava quem tinha ingresso e moradores cadastrados. O objetivo foi evitar que fãs sem entradas se aglomerassem do lado de fora durante o show, comportamento observado em outros países da América Latina e apelidado de “setor calçada”.

Algo assim nunca havia sido feito para um show solo de qualquer artista. A medida provocou trânsito a quilômetros do estádio 12h horas antes do início.

O BTS encerrou a conversa com a plateia brasileira cheio de promessas de retorno. Eles fazem mais shows nesta sexta (30) e sábado (31), concluindo a etapa latino-americana da turnê.

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