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Música

Ane Êoketu e Fernanda Jacob transformam 15 anos de amizade em álbum

“Maré Alta” reúne cinco faixas inéditas e atravessa referências afro-brasileiras, latino-americanas e urbanas em um trabalho que nasce do encontro entre duas trajetórias na música

Alexya Lemos

28/08/2026 5h00

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Foto: Divulgação/Fábio Setti

Cerca de 15 anos depois de se conhecerem na cena musical brasiliense, Ane Êoketu e Fernanda Jacob transformam uma trajetória de amizade, admiração e parceria em criação artística. As cantoras lançam nesta sexta-feira (28), “Maré Alta”, primeiro álbum construído em conjunto, com cinco faixas inéditas que atravessam diferentes territórios sonoros e reafirmam a relação das artistas com a música brasileira.

Sergipana radicada em São Sebastião, Ane Êoketu e a brasiliense Fernanda Jacob, de Sobradinho, se aproximaram por meio do samba. Ao longo dos anos, a relação deixou de ser apenas profissional e passou a envolver também uma convivência marcada pela troca e pelo acompanhamento das transformações de cada uma dentro da música. É desse percurso compartilhado que surge o projeto, desenvolvido ao longo de dois anos.

A ideia inicial partiu de Ane, que convidou Fernanda para a construção de um EP. O projeto, porém, cresceu durante o processo e se transformou nesse álbum. Para Ane, a parceria também representa a possibilidade de materializar um desejo que acompanha sua trajetória autoral: dividir a criação com alguém que teve papel importante em sua formação artística.

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Foto: Divulgação/ Fábio Setti

“Eu e Fernanda Jacob nos encontramos na música há cerca de 15 anos mais ou menos e, ao longo desse tempo, construímos uma amizade que vai muito além da parceria profissional. Caminhamos juntas e acompanhamos de perto as transformações uma da outra dentro da música”, conta Ane.

Segundo a cantora, Fernanda esteve entre as primeiras pessoas a reconhecer seu trabalho como uma atuação profissional e a incentivá-la em diferentes momentos da carreira. “De alguma maneira, ela me ajudou a enxergar em mim mesma possibilidades que eu ainda estava descobrindo, e isso me impulsionou a querer crescer e me aprimorar como cantora, compositora e artista”, afirma.

A partir dessa relação, “Maré Alta” foi construído sem a preocupação de se limitar a uma única linguagem musical. O repertório percorre ijexá, reggae-dub, sonoridades afro-brasileiras e latino-americanas, além de referências urbanas e do samba. Para Ane, a unidade do trabalho não está na escolha de um gênero específico, mas na maneira como as diferentes influências das duas artistas se encontram.

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Foto: Divulgação/ Fábio Setti

“Mais do que escolher uma estética única, fomos entendendo o que cada música pedia e deixando que as nossas referências aparecessem de maneira orgânica”, explica. “No fim, Maré Alta é muito sobre duas artistas com referências diferentes, mas com uma história, uma escuta e uma amizade construídas ao longo de muitos anos. Acho que é dessa mistura que vem a unidade do EP.”

O repertório é formado por “Cumbia Negra”, “O Barbante”, “Eu Amo Você”, “Maré Alta” e “Voltar pra Lar”. Entre as faixas, “O Barbante” tem composição de Thiago de Lima. Juntas, as músicas articulam diferentes referências musicais e experiências acumuladas pelas cantoras, aproximando elementos tradicionais de possibilidades contemporâneas de arranjo e interpretação.

O próprio nome escolhido para o trabalho concentra diferentes sentidos. Para Fernanda Jacob, “Maré Alta” surgiu, primeiro, como uma homenagem ao artista e amigo Léo Maré. A imagem da maré também se relaciona à própria experiência de viver e criar no Distrito Federal, território sem mar, mas marcado por nascentes, lagos e pela diversidade de pessoas que formam a região.

“Quando pensamos em ‘Maré Alta’, pensamos justamente nessa ideia de abundância e de movimento. Ela está na memória, nas pessoas, na música, no território e nos encontros que nos formaram. É essa força que chega, transborda e movimenta a vida”, explica Jacob.

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Foto: Divulgação/ Fábio Setti

A faixa que dá nome ao projeto também ocupa lugar central para Fernanda na leitura do momento vivido pelas duas artistas. A cantora define a música como uma espécie de prece diante das dificuldades do cotidiano e associa sua mensagem a sentimentos como fé, esperança e afeto.

“Pra mim, fabular também é um mecanismo de sobrevivência. É uma maneira de continuar acreditando, criando e se movimentando”, completa Jacob.

Além das intérpretes, o projeto reúne mulheres em diferentes funções de sua produção artística e audiovisual. A iniciativa também conta com a participação especial da artista trans Ava Sher, responsável pela recitação de um poema presente no álbum. Sua presença acrescenta ao trabalho uma camada que aproxima música, palavra e identidade.

A construção do álbum, portanto, parte de uma relação que já existia antes da criação das canções. O resultado é atravessado pela memória de encontros, pela diversidade das referências musicais das duas artistas e pela intenção de transformar uma amizade de longa duração em uma obra compartilhada.

Para Ane, essa dimensão pessoal está diretamente ligada ao significado do lançamento. “O Maré Alta nasce desse desejo, mas também da vontade de celebrar uma história de amizade, admiração e caminhada compartilhada. É um encontro entre duas artistas que se conhecem há muito tempo e que agora têm a oportunidade de transformar essa trajetória em música.”

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Foto: Divulgação/ Fábio Setti

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