A relação entre Alice Caymmi e Nana Caymmi ganha o palco da CAIXA Cultural até domingo (13), com o espetáculo “Para Minha Tia Nana”. Criado inicialmente como uma reverência à cantora ainda em vida, o projeto passou a ter caráter de tributo após a morte de Nana, em 2025, aos 84 anos.
Mais do que revisitar um repertório, Alice leva para a apresentação a influência da tia em sua própria formação artística. A cantora, que participou de trabalhos de Nana desde os 12 anos, conta que muitos dos conselhos recebidos ao longo da convivência permanecem presentes na maneira como constrói o espetáculo. “Ela me deu muitos conselhos que ficaram na minha mente, que eu anotei no meu coração”, afirma.
Essa memória aparece tanto nas falas quanto na interpretação das músicas. A proposta, segundo Alice, é contar simultaneamente a história de Nana e a própria trajetória a partir dessa relação familiar e artística. Com o falecimento da tia, o espetáculo passou a se concentrar ainda mais na carreira e nas canções que marcaram sua trajetória.

O processo de preparação do repertório também levou Alice a descobrir novas camadas nas músicas que já conhecia. Ao revisitar as obras de Nana, a cantora afirma ter percebido com maior clareza a presença da dor na forma como a artista enxergava a vida. “Eu tive uma iluminação em relação à maneira dela de ver a vida, de ver as coisas e como isso era doloroso”, conta.
O repertório reúne canções imortalizadas por Nana, como “Resposta ao Tempo”, “Só Louco”, “Suave Veneno” e “Oração ao Tempo”, além dos boleros “Sabe de Mim” e “Se Queres Saber”. Acompanhada pelo pianista Eduardo Farias, Alice procura preservar a intensidade dessas interpretações sem abrir mão da própria identidade artística.
“A cada ensaio, revisitar esse repertório é sempre um desafio. A Nana sempre cantou a dor com intensidade, e essa herança me atravessa”, afirma a cantora. A apresentação, descrita por Alice como uma homenagem “à flor da pele”, estabelece uma conexão entre diferentes gerações da música brasileira e entre duas trajetórias marcadas pelo mesmo sobrenome, mas construídas em momentos distintos.

Neta de Dorival Caymmi e filha de Danilo Caymmi, Alice nasceu no Rio de Janeiro em 1990 e construiu uma trajetória própria na música brasileira contemporânea. Sua carreira profissional começou em 2012, com o lançamento do primeiro álbum autoral, e passou por diferentes linguagens, entre a MPB, o pop e a música eletrônica. A convivência com Nana, no entanto, ocupa um lugar particular nessa formação, influência que a cantora define como “incontornável”.
Além dos shows, a programação inclui uma oficina de música ministrada por Eduardo Farias, pianista que acompanha Alice no espetáculo. Marcada para sexta-feira (12), das 16h às 18h, a atividade “Do acompanhamento ao improviso: linguagem, harmonia e criação na música popular brasileira” propõe uma abordagem prática sobre elementos presentes na música popular brasileira e no jazz.
A partir da experiência do duo de piano e voz formado para “Para Minha Tia Nana”, Farias vai abordar o papel do pianista no acompanhamento do cantor e na construção da interpretação musical. A oficina também passa por acompanhamento, linguagem harmônica, improvisação e criação musical e é destinada a estudantes, músicos, profissionais e interessados em música em geral.
Após a oficina, os participantes poderão acompanhar a passagem de som do espetáculo. As vagas são limitadas e as inscrições são feitas pelo site da CAIXA Cultural.
Serviço
[MÚSICA] Alice Caymmi – “Para Minha Tia Nana”
Local: CAIXA Cultural Brasília — SBS, Quadra 4, Lotes 3/4
Data: 10 a 13 de setembro de 2026
Horários: quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Acessibilidade: 10/9 — sessão com intérprete de Libras
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 via link
Oficina de Música com Eduardo Farias
“Do acompanhamento ao improviso: linguagem, harmonia e criação na música popular brasileira”
Data: 12 de setembro
Horário: das 16h às 18h
Inscrições: pelo site da CAIXA Cultural; vagas limitadas