Raquel Martins
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Com mais de um ano de atraso para o início da reforma, o palco mais tradicional de Brasília segue fechado. Com o rombo nos cofres públicos, o Governo do Distrito Federal não estipula prazos para a reabertura do Teatro Nacional Claudio Santoro (próximo à Rodoviária do Plano Piloto), e o impasse vem gerando cada vez mais desconforto nos artistas, produtores e usuários do local.
“Os artistas locais estão se sentindo órfãos. Sem contar que Brasília está deixando de fazer parte da rota dos grandes espetáculos, já que a única estrutura apropriada para recebê-los está fechada”, ressalta Valdemar Piauí, bailarino e produtor cultural.
Pensando em uma forma de acelerar esse processo, integrantes de grupos culturais se reunirão, amanhã, às 18h, para um “abraçaço” no teatro. “A ideia é mobilizar as pessoas, pois sabemos que sem pressão a máquina pública não funciona”, explica Valdemar, que criou o evento Movimento OcupA ComArte o Teatro Nacional-DF. No Facebook, o encontro já conta com quase 500 confirmações.
Ideia
Segundo o organizador, a ideia surgiu de uma manifestação semelhante realizada em prol da reforma do Teatro Quatro de Setembro, em Teresina, no estado do Piauí, terra natal do bailarino. “Pensei em trazer essa iniciativa porque deu muito certo por lá. Depois da pressão popular, os governantes tiveram que tomar medidas e a reforma acabou acontecendo”, explica Valdemar.
No movimento em Brasília, que terá concentração a partir das 16h30 no próprio Teatro Nacional, os manifestantes são convidados a ocupar o espaço com arte. “Vamos ter recital de poesias, batalha de hip hop, dança afro e performances teatrais. Mas as pessoas estão livres para se expressar como quiser”, convida Valdemar, que já planeja dar continuidade ao ato. “Queremos que essa mobilização tome proporções maiores”, conclui.