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Mazelas do poder são tema de programas de TV

Arquivo Geral

17/10/2014 9h30

“Dê poder ao homem e irá descobrir quem ele realmente é”. A frase do renascentista Maquiavel data do século 15, no entanto, faz-se mais atual do que nunca, faltando apenas dez dias para as eleições de segundo turno no Brasil. O filósofo profetizava sobre a política, os jogos do poder e a capacidade do homem de persuadir até os mais idealistas. Essa visão sombria é prato cheio para a ficção, que usa e abusa do tema em filmes e seriados de TV.

Marcílio Moraes traduziu para a telinha, de forma ácida, três turbulentas fases da política brasileira. Ele é o autor da minissérie Plano Alto, que chega hoje ao seu último capítulo. Produzida pela Rede Record, a obra apresentou fraca audiência, mas termina deixando vários ganchos abertos para uma possível segunda temporada.

Corrupção

Embora ficção, a proximidade com a realidade torna a série atual, principalmente nesse  momento em que se discutem as mazelas do jogo do poder tupiniquim, com suas CPIs, mensalões e corrupções. “Plano Alto banha-se não apenas no ano eleitoral, mas em três momentos de virada marcantes no Brasil. A minissérie narra três gerações de famílias envolvidas com a política. Não mostro se eles são corruptos ou não, mas realço essas mazelas do poder”, explica Marcílio, em entrevista ao JBr..

A trama tem como pivô central o fictício governador do Rio, Guido Flores. Vivido pelo ator Gracindo Junior, o político é um contestador que lutou contra o Regime Militar na década de 1960. Anos depois, é ele quem vira alvo de acusações em uma CPI.

Dentre os personagens também está o deputado João Titino (Milhem Cortaz), filho de Guido, que participa do movimento caras-pintadas, responsável pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, em 1992. E o neto do governador, Rico (Bernardo Falcone), jovem revoltado que participa do movimento dos black blocs nas manifestações de junho de 2013. “Não tem nenhum herói. É uma minissérie que mostra como o mundo da política corrompe os ideais. Hoje será, enfim, concluída a CPI do governador Guido”, finaliza o autor.

Obras com tom crítico ou bem-humorado

Tomado pelo fervor eleitoral, o Viva listou obras que têm como tema a política e suas mazelas. Seja com tom crítico, ácido e/ou humor sarcástico, atrações como a minissérie O Brado Retumbante, a telenovela Bem-Amado e a série House Of Cards merecem destaque.

Criada por Beau Willimon para o Netflix, a série de drama político House Of  Cards, dos EUA, estreou em 2013. Foram duas temporadas e 26 capítulos, nos quais acompanhamos a história de Frank Underwood (Kevin Spacey), um congressista inescrupuloso. Premiada, House Of Cards tem um fã ilustre: o presidente dos EUA, Barack Obama, que tempos atrás usou o Twitter para comentar a estreia da segunda temporada.

Exibida em 2012, na Globo, a minissérie Brado Retumbante trazia o advogado Paulo Ventura (Domingos Montagner) que, após inúmeros escândalos, se viu obrigado a assumir a presidência do País. Fazendo bom uso do humor, a novela Bem-Amado (1973), de Dias Gomes, ganhou às telonas em 2010. Na trama, conhecemos o prefeito Odorico Paraguaçu e suas artimanhas para conseguir o que quer.

Ponto de vista
 
Doutora e coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Mídias e Políticas da UnB, Liziane Soares disserta sobre a política e a forma como ela é retratada na ficção. “Há uma representação estereotipada. Mostra-se apenas o lado negro, da corrupção. Essa associação, sempre com o elemento negativo, seja de forma cômica ou dramática, limita a visão de algo muito mais complexo. Fato que não ajuda o esclarecimento e impõe como tendência o olhar para o pessimismo”, defende.

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