
Os livros World of Warcraft: Alvorada dos Aspectos e Need for Speed acabam de chegar às livrarias do País. Ambos têm em comum as origens: foram inspirados em videogames. O primeiro, publicado pela editora Galera Record, segue com a saga iniciada em Marés da Guerra. Na história escrita por Richard A. Knaak, os guardiões da Azeroth precisam se unir contra a ameaça do dragão Galakrond.
Já Need for Speed sai pela Única Editora. Escrito por Brian Kelleher, acompanha o lançamento da adaptação cinematográfica da famosa série de jogos de corrida, que estreia amanhã nos cinemas.
No longa, Tobey Marshall (Aaron Paul, o Jesse Pikman de Breaking Bad), herda a oficina de modificação de carros de luxo Marshall Motors de seu pai. E, após ser preso injustamente, sai em busca de vingança.
Tradição
A literatura baseada em histórias de games existe há um bom tempo nos Estados Unidos e começou a ser publicada no Brasil em 2011 com Assassin’s Creed – Renascença, da Galera Record. A editora foi pioneira neste nicho. Da saga de AC já foram lançados seis títulos, que venderam juntos cerca de um milhão de exemplares no Brasil.
Depois, em outubro de 2012, a Galera fechou uma parceria com a desenvolvedora de games Blizzard e, desde então, vem publicando livros inspirados em World of Warcraft, Diablo e Starcraft. Além de outros trabalhos como Resident Evil: Retribuição, da famosa série. A editora ainda pretende lançar outros romances até o final do ano, como Starcraft – Demônios do Paraíso e Diablo – Storm of Light (ainda sem tradução).
A reportagem procurou alguns gamers (termo usado para se referir a jogadores de videogame) para saber a opinião deles sobre essa nova onda. O estudante de Matemática Yuri Guimarães Barros de Abreu dedica uma boa parte de seu tempo aos jogos. Costuma fazer isso uma hora por dia durante a semana e consegue mais tempo nos finais de semana. Por ser fã da série de jogos Dead Space, já leu Dead Space: Martyr e Dead Space: Catalyst, ambos escritos pelo americano Brian Evenson.
Como eles ainda não saíram no Brasil, Yuri leu a versão importada de cada um e aprovou os romances. Para o estudante, a história escrita complementou a do game, que deixou muitas coisas em aberto. “Os livros mostram os eventos que dão origem aos acontecimentos do jogo, e esclarecem alguns pontos”, explica.
Universo estimula jogadores a ler
Alguns livros, como Assassin’s Creed, trazem a leitura do modo campanha (no qual o jogador joga a história do jogo) de cada game, enquanto outros trazem complementos à sua história ou novas aventuras.
Hudson Calazans Fernandes é gerente de um campo de paintball e até hoje possui um Atari 2600 funcionando. Na opinião dele, a literatura de games pode abordar vários assuntos e mostrar que jogos eletrônicos também são coisa de gente grande.
Pesquisa
Autor da tese de doutorado intitulada Videogames: Brinquedos do Pós-Humano pela PUC-SP, o professor Roger Tavares acredita que essa literatura é útil para a compreensão do universo dos jogos eletrônicos. Segundo ele, as adaptações literárias de games também podem estimular a leitura por possuírem uma linguagem mais acessível, o que permitiria o fascínio da experiência de imergir em um mundo narrado com palavras. “Alguém pode querer ler uma adaptação de God of War e, seduzido pelo contexto mitológico, chegar à Ilíada e Odisseia de Homero“, exemplifica o pedagogo clínico e professor Luís Fernando Tavares Santos.