Vencedor do prêmio de melhor filme pelo júri popular na última edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o longa-metragem Sem Pena traz para as telona um impressionante recorte social e nos faz pensar sobre as terríveis falhas do sistema judiciário e penintenciário no País.
Com depoimentos variados – que incluem pessoas que foram presas injustamente, detentos e intelectuais –, o filme do cineasta Eugenio Puppo chama atenção pelo extenso trabalho de pesquisa, que rendeu 274 horas de material bruto.
Bem montada, a produção questiona a suposta eficácia das cadeias brasileiras, que deveriam fazer com que os presos pagassem pelos seus crimes e voltassem para a sociedade com uma conduta melhor. Tendo em vista a divulgação do que acontece em infernos como o presídio de Pedrinhas, no Maranhão, é fácil saber que a realidade é bem diferente.
Violência
Indo além das grades, o filme alerta sobre a relação da violência atual com as condições das penitenciárias. Mostra que o confinamento funciona como uma verdadeira escola do crime, gerando uma avalanche de efeitos sociais desastrosos para a segurança pública.
Sem Pena apresenta uma série de recursos para fugir do formato padrão do documentário. Tem uma trilha sonora tensa, formada por sons de grades e barulhos esquisitos. Isso mantém a atenção, assim como a opção de não mostrar ou identificar quem está falando – o que aumenta a carga dramática das denúncias e opiniões apresentadas. O público conhece quem deu depoimento apenas no final.
Ter uma das maiores populações carcerárias do mundo não é um recorde positivo. Quando o filme acaba, fica a sensação amarga de que alguma coisa precisa ser feita o mais rápido possível. Imperdível.