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Literatura: e-book is on the tablet

Arquivo Geral

29/07/2014 9h30

Clara Camarano, com Agências

clara.camarano@jornaldebrasilia.com.br

“Hoje, só leio livros em tablets. Posso carregar milhares de livros em um só aparelho e ainda ler em qualquer lugar. E a leitura digital oferece a vantagem de baixar séries, romances e ficções antes do seu lançamento. É muito prático”, destaca o físico e viciado em leitura digital Paulo Magalhães.

Nas paradas de ônibus, faculdades, clubes, no próprio trabalho, “no escuro” ou no meio da rua, no geral. Com e-books, a facilidade de possuir uma biblioteca particular que cabe toda no tablet, ao alcance das mãos, fascina cada vez mais os leitores brasileiros.

Desde 2011, o mercado dos livros eletrônicos tem conquistado editoras e consumidores brasileiros adeptos da leitura digital.

Ainda que as editoras brasileiras digam que as vendas de e-books não sejam suficientes para cobrir o investimento que elas têm feito ao longo dos últimos anos na produção e conversão de livros, o crescimento do setor é inegável.

De acordo com dados da pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial, feita pela Fipe por encomenda da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional de Editores, o faturamento do mercado editorial com os e-books saltou de R$ 3,8 milhões em 2012 para R$ 12,7 milhões em 2013, ano base do levantamento.

Concorrência

Por meio do site da Amazon, empresa multinacional de comércio eletrônico dos EUA, Paulo compra e tem acesso a todas as obras desejadas. “Consegui matar a curiosidade do último livro da série A Song of Ice And Fire, que deu origem ao Game of Thrones“, justifica o físico, que abandonou o livro tradicional há dez anos, quando comprou o primeiro aparelho leitor da Sony. De lá para cá, ele usa e abusa de outros e-readers, como o Kindle.

“Acho a maioria dos livros que desejo em formato digital”, ressalta. Apesar dos e-books fascinarem cada vez mais adeptos, há quem não troque o charme do bom e velho livro físico, indispensável para quem adora sentir cheiro de livro novo. Noiva de Paulo, a biomédica Maíra de Azevedo é forte representante dos amantes da versão física. “O livro (impresso) tem seu charme. Às vezes, leio um e-book e, depois, faço questão de comprar o livro só para ter na prateleira”, coloca.

Público está disposto a comprar
 
O farmacêutico Guilherme Gonçalves também aderiu aos e-books. Segundo ele, após comprar um tablet, sua vida literária nunca mais foi a mesma. “É mais fácil baixar livros pela internet. Além disso, a leitura não pesa no bolso, em todos os sentidos”, brinca.
 
Editor de e-books e coordenador editorial do grupo Record, Sérgio França realça a tendência das editoras de se adaptarem cada vez mais ao mercado das obras literárias em versão digital. Na Record, esse mercado já representa 2,5% das vendas totais. A editora chega a  converter cerca de 50 livros impressos em e-books por mês. “As grandes editoras estão conectadas, desde 2011, pela empresa Distribuidora de Livros Digitais (DLD). Aderimos pois sabemos que o mercado está caminhando para esse rumo. No entanto, nossa preocupação é com o leitor. Seja ele de e-books ou dos tradicionais livros. E os livros tradicionais têm seu público. O e-book é apenas uma cauda desse mercado”, assegura.
 
Salto
 
Segundo Sérgio, é preciso desmitificar a ideia de que as editoras estão tendo prejuízo com o crescimento do mercado digital. Apesar de saber do mercado da pirataria, o editor frisa que os leitores pagam, sim, pelas obras on-line. “Oferecemos um valor mais barato para as versões digitais. Normalmente, elas são vendidas por 30% do valor do livro tradicional. Mas o público está disposto a comprar. Não há prejuízo”, destaca.
 
Foram produzidos 30.683 títulos digitais – 26.054 e-books e 4.629 aplicativos. Em 2012, esses números foram, respectivamente, 7.470 e 194. Em unidades vendidas, o salto também foi significativo – de 235.315 para 889.146. O segmento de obras gerais foi o que mais se beneficiou com a novidade tecnológica – ele faturou R$ 9,2 milhões no ano passado e foi seguido pelas editoras de livros científicos, técnicos e profissionais (CTP), com R$ 2,6 milhões; didáticos, com R$ 601 mil e religiosos, com 287 mil.
 
Coordenadora de livros digitais da editora Rocco, Lúcia dos Reis pontua o crescimento desse mercado como consequência do ingresso das gigantes Amazon, Apple, Google e Kobo no Brasil. Ela afirma ainda que há espaço para mais crescimento, principalmente se essas empresas reduzirem os preços dos e-books. “O digital surge de uma demanda de mobilidade, presente  na rotina da nossa sociedade, constantemente integrada com o universo web. O mercado editorial se adapta para acompanhar”, explica.
 
Livro impresso preocupa
 
As editoras registraram faturamento de R$ 5,3 bilhões em 2013, um crescimento de 7,52% em comparação com o ano anterior. No entanto, descontada a inflação do período, de 5,91%, o crescimento é de apenas 1,52%.
 
Isso, considerando as vendas para o mercado e para o governo. Quando desconsideramos o polpudo mercado governamental, que no ano passado representou R$ 1,4 bi, o crescimento real foi nulo.
Em 2012, porém, os números foram ainda piores. O faturamento foi de R$ 4,98 bilhões, o que representava um aumento de 3,04% em relação a 2011. Ao descontar a inflação de 5,84% do período, esse ligeiro aumento virou queda de 2,64%. 
 
Cuidados
 
O analista de redes Lennon Fiuza aconselha que os leitores de e-books tomem medidas preventivas para guardar os livros dentro do computador. Diferentemente dos físicos, os e-books podem se perder como os demais arquivos do computador. “Os cuidados são os mesmos de qualquer arquivo que você tem. Fazer sempre backup e aproveitar as novas soluções de armazenamento são opções para preservar com segurança seu livro. O serviço gratuito de salvamento, Dropbox permite que você crie um usuário e senha, salve seu livro e não tenha dor de cabeça”, indica.
 
Defensor passional
 
O escritor mato-grossense radicado em Brasília Nicolas Behr defende com garra sua paixão pela “invenção perfeita” que é o livro tradicional. Apesar de saber, e acreditar, na inexorável ascensão dos e-books, ele ressalta: “Eu gosto do objeto livro, o fetiche, o pegar, o guardar. Gosto do cheiro dos livros. E isso os e-books não têm, mesmo agora que estão colocando (nos e-books) uns adesivos com cheiro”, diz. Nicolas, que afirma ter sido um menino da fazenda e não se atrair pela tecnologia digital imposta aos livros, não descarta, no entanto, a possibilidade de ter um kindle ou tablet um dia. Afinal, no futuro, “os livros serão tão raros como os bolachões, aqueles LPs enormes”, lamenta.
 
Ponto de vista
 
Diretor responsável pelo GT Livro Digital da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Afonso Martin  afirma ser significativo o aumento no consumo da leitura digital, que alcança hoje em torno de 2,5% do mercado. Mas garante que a extinção das livrarias e das charmosas obras de cabeceira é praticamente impossível. “As pessoas querem o livro físico, seja para sentar com a família e mostrar um trecho para os filhos, seja pela dedicatória que este possibilita. O ser humano precisa de coisas táteis, reais. É claro que a era digital já influenciou no fechamento de algumas livrarias, mas acredito que isso se deva muito mais há falta de uma política para o livro no Brasil”, conclui.
 
Números
 
Comparação com os anos anteriores
 
Faturamento (nominal)
2013:  5,3 bi
2012:  4,9 bi
2011:  4,8 bi
 
Crescimento do setor (real)
2013:  0%
2012:  -2,64%
2011:  0,81%
 
Títulos produzidos
2013:  62,2 mil
2012:  57,4 mil
2011:  58,1 mil
 
Exemplares produzidos
2013:  467,8 milhões
2012:  485 milhões
2011:  499 milhões
 
Exemplares vendidos
2013:  479,9 milhões
2012:  434,9 milhões
2011:  469,4 milhões
 
Faturamento com livro digital
 
2013:  R$ 12,7 milhões
2012:  3,9 milhões
 
Títulos digitais produzidos
 
2013:  30.683 (26.054 e-books e 4.629 apps)
 
2012:  7.664 (7.470 e-books e 194 apps)
 
Exemplares digitais vendidos
2013:  889 mil (873 mil e-books e 15 mil apps
 
2012:  235,3 mil (227 mil e-books e 8 mil apps)

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