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Lei que obrigava cinemas a exibirem curtas-metragens nacionais ainda divide opiniões

Arquivo Geral

23/02/2016 7h20

Raquel Martins Ribeiro

raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br

Não é de hoje que cineastas e produtores de curtas-metragens nacionais driblam a falta de incentivo e a escassez de espaços para exibição e divulgação de seus filmes, que são limitados à exibições em festivais de cinema espalhados pelo País. Também não é recente a tentativa do governo de buscar ações que contribuam para a valorização do cinema nacional.

Criada em 1975,  a Lei do Curta-metragem determinava a obrigatoriedade de inclusão de curtas-metragens nacionais na programação das salas de cinema brasileiras. Contudo, desde a extinção do Conselho Nacional de Cinema (Concine), órgão responsável por regulamentar e aplicar a lei, em 1991, este decreto foi revogado e a competência não foi transferida para um dos órgãos de administração pública, como a Agência Nacional do Cinema (Ancine), por exemplo.

Segundo a assessoria da Ancine, a lei que poderia ser uma alternativa para ampliar e formar público de curtas “perdeu a sua efetividade e deixou de ser aplicável”, informa o órgão.

“Erros e acertos”

Para a diretora e roteirista Mabel Lopes, responsável por filmes como O Resto é Silêncio e O Demônio Não Sabe Brincar, a retomada da lei (ou de outra semelhante) poderia, sim, resultar em um processo positivo. “Antes é preciso analisar quais os erros e acertos na aplicação dessa lei no passado, já que a janela comercial é bem diferente”, acredita a cineasta.

De acordo com Mabel, os cineastas e produtores precisam ver os exibidores como aliados, e não o contrário. “É preciso levar o público em consideração. Exibir um curta que seja da mesma temática do longa-metragem”, considera Lopes.

Outras alternativas

O empresário e produtor cultural de cinema Nilson Rodrigues, proprietário do Cine Cultura Liberty Mall, não pensa no retorno dessa lei como algo que beneficie alguém. “O maior prejudicado seria o próprio público. Obrigar o público a assistir um curta não funcionou antes, e não vai funcionar agora”, acredita. “As pessoas chegavam depois (da exibição) para não ter que assistir ao curta. Esse tipo de obrigatoriedade nunca funciona”.

Nilson ressalta que existem outras ações para dar visibilidade aos curtas-metragens. “Há maneiras mais eficazes para estimular a produção nacional. Tem janelas na internet, mostras e festivais de curta”, conclui o produtor cultural.

A cineasta Mabel Lopes completa: “Outros caminhos também podem ser tomados para valorizar a produção nacional. Um deles seria possível se as TVs fizessem séries, em que cada episódio fosse um curta de um diretor diferente, por exemplo. Acho que o nosso primeiro objetivo é ter espaço na TV”, sugere a roteirista.

Segundo a diretora, outro espaço para a narrativa de um curta é a internet. “Lá as pessoas estão mais interessadas, buscando uma narrativa diferente”, explica Mabel.

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