Lúria Rezende
Especial para o Jornal de Brasília
Infelizmente, hoje em dia, é cada vez mais difícil curtir música ao vivo nos bares e restaurantes das entrequadras do Plano Piloto durante a noite. O fechamento do Balaio Café (201 Norte) no fim do mês passado suscitou mais uma vez a discussão sobre a Lei Distrital 4.092, de 2008, a chamada Lei do Silêncio. Para artistas e empresários, essa lei vai na contramão do crescimento da cidade e impede que a cena cultural se desenvolva. Porém, há o lado de moradores que privam pela tranquilidade. Para não terem seus estabelecimentos fechados e noites musicais suspensas, bares e restaurantes precisam se adequar à nova regra. Sobra para o brasiliense, que vê seu leque de opções culturais diminuir com mais uma polêmica.
A produtora cultural Cecília Lindgren reforça a crise na cena cultural da cidade. “Brasília sempre sofreu com a questão de locais destinados a pequenos eventos e apresentações culturais. A falta de locais de trabalho para músicos e produtores independentes empobrece a cena cultural brasiliense, a partir do momento que essas pessoas acabam obrigadas a buscar outra alternativa para sobreviver, já que ficam sem lugar para trabalhar”, expõe.
Limitados às quadras
Na tentativa de achar uma solução para o problema, o produtor cultural e DJ Philipe Nagô destaca a existência de um setor de diversões na cidade, mas que vive às margens do poder público. “Apesar de ter sido criado para isso, acho que o Conic nunca foi ponto cultural pra comunidade das Asas Norte e Sul. Era, e ainda é, visto com um lugar de gente marginal”, explica. E completa: “Com isso ficamos limitados às quadras comerciais. Acredito que nessa situação atual, todos saem perdendo”.
Música ao vivo e opiniões divididas
O sambista Breno Alves afirma que tem sido difícil viver de música na capital. “As casas estão com medo e acabam deixando a música ao vivo de lado”, lamenta.
Moradores das quadras residenciais do Plano Piloto reforçam a legitimidade da Lei do Silêncio em prol do conforto e da tranquilidade. “É muito difícil dormir com o barulho. Sem contar as vagas, que são completamente tomadas”, manifesta-se o aposentado Edvaldo Chagas, 56 anos, morador da 408 Norte.
Já Camila Martins, 34, também residente da quadra, acredita que a música nos bares das entrequadras traz para perto não só a cultura, como maior segurança. “A grande circulação de pessoas impede a ação de bandidos nas redondezas”, comenta.