Quando os europeus chegaram ao Brasil, ficaram encantados com a exuberância das belezas naturais. Muitos artistas plásticos vieram ao País com o objetivo de retratar imagens que pudessem mostrar como eram os índios, animais e paisagens do País. O período rendeu uma série de ricas obras, que mostram o olhar estrangeiro sob uma terra ainda preservada. Muitas dessas produções podem ser vistas na coleção Brasiliana, que se transformou numa exposição permanente, em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo. O local abriga, desde 1996, uma série de mostras e atividades artísticas. O JBr. foi convidado para inauguração do novo espaço, chamado Olavo Setubal – em homenagem a um dos fundadores do banco e colecionador de arte. A maior parte das peças, por sinal, partiu de seu acervo pessoal.
Um total de 1,3 mil obras, de dez mil itens, podem ser apreciadas, num momento considerado histórico, na opinião de Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. “Obra de arte é para ser vista, e é um desafio expor esta coleção. Para isso, seguimos rígidos modelos de museografia e conservação”, comenta Saron. O visitante vai se impressionar com o capricho das instalações, que ocupam o 4º e 5º andar do prédio. E reúnem cinco séculos de arte feita em terras tupiniquins.
Uma equipe que veio da Espanha prestou consultoria para que as relíquias pudessem ser exploradas de forma mais completa. É interessante poder ver raridades que parecem flutuar nas paredes, expostas por trás de vidros antirreflexo trazidos da Alemanha. Uma cuidadosa iniciativa lançada após cinco anos de trabalhos.
Viagem ao passado
O curador Pedro Corrêa do Lago fez uma sequência cronológica para dar sentido e unidade para todas as peças. Ele dividiu o espaço em nove módulos, que começam desde obras que retratam a chegada dos europeus até o Brasil contemporâneo. O período é amplo e cheio de curiosidades. Por exemplo, é possível apreciar um dos primeiros mapas feitos, que datam de 1522, até primeiras edições de livros do autor Machado de Assis – com um erro de datilografia. Ou então a doçura de Monteiro Lobato, que, para um leitor mirim, fez dedicatórias num exemplar como se fosse os principais personagens do Sítio do Picapau Amarelo.
Com gravuras, representações e numismática
O curador Pedro Corrêa acredita que o público-alvo são os estudantes do Ensino Médio, que vão se surpreender com a viagem no tempo. Em um mundo globalizado e tecnológico, selfies e imagens capturadas por meio de smartfones, as pinturas podem provocar uma reflexão sobre como era antigamente. “Na época, as imagens eram um luxo. Antes da fotografia, a gravura era a única forma de se ver uma coisa. O registro era para poucos e as pessoas observavam os detalhes com lupas”, diz.
Um dos pontos mais bonitos da coleção Brasiliana é uma escada onde se pode ver mais de 300 gravuras de animais, como As Aves para Ornitologia Brasileira ou História dos Pássaros do Brasil, de J. T. Descourtilz. Vale a pena também observar a parte Numismática, que exibe moedas, medalhas e brasões que contam muita história. Entre as moedas está a mais valiosa de todas: a numismática brasileira, que é “a Peça da Coroação, proibida de entrar em circulação por D. Pedro I por apresentar erros inaceitáveis para o imperador”, segundo o curador Vagner Carvalheiro Porto.
O repórter viajou a convite do Itaú Cultural