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Instituto Cervantes apresenta Flamenco de Raíz

Arquivo Geral

25/07/2013 13h00

O Instituto Cervantes Brasília exibe esta semana o filme Flamenco de Raíz (2011), documentário dedicado à música e à dança flamenca, considerado um subgênero no documentário musical espanhol. O foco no genuíno da dança e do canto é captado por meio de um olhar atento à riqueza e vitalidade que o flamenco continua tendo como manifestação cultural eminentemente espanhola. Flamenco de Raíz compõe a mostra Territórios do Documentário Espanhol, que durante o mês de julho traz uma seleção de quatro filmes inéditos à Brasília. 

 

Na abertura, o público pôde conferir Hollywood Talkies (2011) – um documentário que resgata a história dos profissionais do cinema que viajaram para Hollywood na alvorada do cinema sonoro para trabalhar nas versões duplas com as quais a indústria americana pretendia continuar a controlar os mercados que temia perder. Situado em um período histórico um pouco posterior, La maleta mexicana (2011), exibido na semana passada, segue o rastro de uma valise, recuperada recentemente, que continha os negativos de diversas fotografias feitas por Robert Capa e Gerda Taro durante a Guerra Civil Espanhola. 

 

Na última semana, El somni (2008) representa o documentário de caráter intimista e de resgate da memória. O diretor Christophe Farnarier apresenta uma interessante abordagem à história de um pastor que ainda percorre os campos com as suas cabras, um trabalho milenar, e que reflete sobre nosso tempo e sobre o possível futuro da nossa cultura, a partir de um ponto de vista certamente isolado.

 

Cinema documental na Espanha

Na década de noventa, vários diretores espanhóis elaboraram diversas propostas para resgatar a produção de documentários como forma de expressão natural do cinema espanhol. Impulsionada por diretores do porte de Basilio Martín Patino e Joaquim Jordá, a possibilidade retórica de abordar temas sociais, históricos ou políticos a partir das convenções da “não ficção” começou a mostrar o potencial de um cinema que buscava recapturar o espírito artístico de referenciais como Victor Erice.

 

Nessa transformação, a obra de José Luis Guerín se apresentará como emblemática e será o resultado de um enorme esforço para legitimar outras formas de se abordar as narrativas sobre a realidade. Seu filme En construcción(2000) conseguirá chegar a todos os públicos, um documentário sobre a reurbanização do bairro de Raval, em Barcelona. Seu trabalho docente universitário abrirá caminho para outros cineastas, como Mercedes Álvarez ou Isaki Lacuesta, dois novos documentaristas que assumiram o gênero como lócus de criação fazendo uso dos seus recursos de maneira muito diferente.

 

O ensino formal de produção e criação de documentários fala, na verdade, do auge atingido nos últimos anos pelo gênero, como uma especificidade na forma de produzir relatos. Também contribuíram para isso a facilidade de acesso a câmeras leves, a qualidade visual das gravações feitas com celulares ou a velocidade em que se distribui o conteúdo através da internet e das redes sociais, fazendo com que a realidade seja compartilhada de forma complexa. Nesse sentido, o trabalho feito sobre materiais de arquivo, sobre fundos audiovisuais antigos e canônicos ou sobre filmes familiares já se tornou um ponto de partida habitual para a criação. Os filmes found footage, feitos a partir de montagens, passaram a representar uma nova forma de lidar com a reelaboração de relatos que se pretendem ensaísticos, informativos ou apenas documentários.

 

Nesse âmbito, e como elemento contemporâneo, destacam-se as produções que buscam refletir sobre a possível narração do eu como sujeito histórico e também individual. A facilidade do acesso à gravação digital permitiu inaugurar toda uma tendência em que as histórias de família ou os relatos intimistas se apossam de um espaço onde a sua proximidade reside na capacidade de a mídia se aproximar de um narrador que, por outro lado, também se desfez em pedaços diante da impossibilidade de organizar retratos inequivocamente consolidados.

 

Contudo, o gênero documentário é tão antigo quanto o próprio cinema. As primeiras paisagens captadas pelos pioneiros, os mensageiros dos Lumière e de Edison, pioneiros como Edwin Rousby… todos eles tentaram imprimir às suas tomadas o imediatismo dos mundos com que se deparavam nas suas viagens e dar seu testemunho de novas realidades. De alguma forma, a expressão por meio do documentário permanece fiel a essa necessidade de se encontrar com o imediato, de dar conta do que é relevante e digno de ser levado em conta, quer cultural, histórica ou socialmente. Assim, o documentário continua sendo preciso ao aproximar os elementos mais etno-culturais que compõem nossas sociedades. E também se constituiu como elemento fundamental para dar roupagem à história oral e constituir relatos que reforçam a memória necessária para construir as tradições que compõem nossa identidade.

 

Na Espanha, sem dúvida, todas essas vertentes receberam atenção. O documentário tornou-se um dos fóruns mais sugestivos e criativos da produção audiovisual contemporânea. Continua sendo, desde a década de noventa, uma das vertentes mais criativas e pujantes da cinematografia espanhola. Seu compromisso com a criação e a utilização de novas linguagens discursivas, muitas vezes próprias do cinema experimental mas também da mídia informativa, faz dos seus filmes um verdadeiro catálogo da atualidade, visto a partir de um olhar absolutamente íntimo, com personagens que formam de outra maneira o espaço público.

 

Serviço:

Territórios do documentário espanhol

Dias: 12, 19, 26/07 e 02/08

Horário: às 19h

Local: Salão de Artes do Instituto Cervantes 

CI : Livre

Entrada Franca

Informações: 3242-0603 

Site: http://brasilia.cervantes.es

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