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Viva

Humor de primeira linha

Arquivo Geral

22/04/2014 7h30

Ricardo Feltrin

*Especial para o Jornal de Brasília

Este mês, a Globo lançou um novo programa de humor, o Tá no Ar, criação de Marcelo Adnet e Marcius Melhem. Ao contrário das últimas produções da emissora, a reação foi a melhor possível. Os telespectadores elogiaram o programa em profusão na internet e, o mais raro, a crítica de TV se rendeu com loas e elogios à criatividade dos quadros e talento dos atores.

Parece exagero, mas não é. Nos tempos atuais de formatos copiados, de humor imbecilizante do tipo Zorra Total e Divertics, Tá no Ar é uma verdadeira lufada de alegria. Surpreendente em se tratando de uma Globo tão popularizada. Isso porque o humorístico usa elementos já perdidos na TV, como a metalinguagem, a autorreferência e, principalmente, o gracejo com a concorrência.

Há quantos anos não se via alguém imitando Silvio Santos na Globo? Ou se ouvia uma ironia aberta a um programa da concorrência, como o Brasil Urgente? E o segundo episódio foi tão inspirado quanto o primeiro. Mas nem é só isso. Tá no Ar ora tem cara de história em quadrinhos, ora brinca com quadros totalmente nonsense como Pesca Fatal (tão idiota e eletrizante que o final foi apoteótico e de morrer de rir). Há outras boas sacadas originais, como o constante zapping de alguém que estaria assistindo ao próprio programa.

Produto novo

Logo no primeiro episódio, uma regra de ouro já foi quebrada pelo programa, ao sacanear com o candomblé, com o quadro da galinha pretinha pintadinha, e o rap do cristão – uma das melhores performances do talentoso Adnet na estreia. Teve quem comparou o programa ao extinto TV Pirata e com o velho e bom Casseta. A verdade é que Tá no Ar é um produto novo e puramente nacional. Nada de formatinho comprado da Fremantle. Vida inteligente no próprio planeta Globo.

A pergunta que fica é: até quando? Até quando a Globo vai liberar cordinha para esses humoristas “violarem” o código do politicamente correto que foi imposto pela própria casa nas últimas décadas? Até o dia em que uma piada com um eventual patrocinador virar crise diplomática? Então, por enquanto, vale a pena aproveitar e rir.

Saiba mais

Uma das ideias centrais do programa era que ele ironizasse o vale-tudo das TVs pelo Ibope. Tá no Ar não mexeu nem uma vírgula na audiência que a Globo obtinha antes. Pior: enquanto ele marcou 10,7 pontos em suas duas primeiras edições, o seriado Doce de Mãe chegava a marcar 13,5 pontos.

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