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Garotas de programa fazem sucesso ao expor suas experiências em blogs e livros

Arquivo Geral

24/06/2014 10h20

Já dizia o cantor Zeca Baleiro: “quem teme o tapa não põe a cara na tela”. Desprendidas, assumidas e com uma naturalidade única para falar sobre sexo, prostitutas e ex-prostitutas que resolveram relatar suas vivências em blogs e livros não têm medo do preconceito, colecionando admiradores e espaço na mídia. Nomes como Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, e Gabriela Natália Silva – que atende pelo nome de Lola Benvenutti – viraram referência de leitura ao quebrar tabus quando o assunto é sexo.

A paulista Lola Benvenutti é formada em Letras pela Universidade Federal de São Carlos (SP), faz pós-graduação e resenha livros eróticos para a Companhia das Letras. Prostituta assumida, a jovem de 22 anos virou febre com o blog lolabenvenuttioficial.com.br, que tem mais de dez mil acessos diários. O primeiro livro, que deve ser lançado em agosto, fala sobre suas descobertas e o dia a dia com os clientes.

Visão realista

“O nome (do livro) ainda é segredo. Isso tudo foi uma loucura. Há dois anos criei o blog e decidi que seria garota de programa. Quando comecei a escrever, nunca imaginei que tomaria essa proporção. Acordei um dia e minha vida tinha mudado. É muito legal perceber que as pessoas me levam a sério”, conta Lola, em entrevista ao Jornal de Brasília.

Segundo ela, a libertação e o descobrimento da sexualidade foram seus maiores incentivos. A prostituição, destaca, trouxe-lhe “maturidade, confiança e um modo mais realista de enxergar o mundo”.

A gaúcha Vanessa de Oliveira ficou conhecida em 2006 quando lançou O Diário de Marise, no qual relata, entre outras coisas, parte de sua vida antes de deixar de ser garota de programa. Nos anos seguintes, escreveu outros cinco livros, que abordam temas como sexo, comportamento, relacionamento e religião. Dentre eles 100 Segredos de uma Garota de Programa e Seduzir Clientes.

“Defesa dos prazeres”

Sem pudor e preconceito, Lola Benvenutti confessa que prefere ser chamada de puta e fala de forma aberta e liberal sobre o assunto em seu blog, onde dá dicas de sexo, relacionamento, descreve experiências e dá conselhos sentimentais. “As pessoas que leem o blog às escondidas acham o termo puta forte. A verdade é que todos fazem sexo e têm vergonha de falar. Com a carreira de escritora, pretendo colaborar para a libertação sexual, não como incentivo à prostituição, mas como defesa dos prazeres”.

Bruna Surfistinha abriu caminho

“Durante os três anos em que me prostituí, muitos se apaixonaram. Recebi flores e cartas (…) Coitadinhos! Eu estava apenas sendo profissional”. O trecho acima faz parte de O Que Aprendi com Bruna Surfistinha – Lições de Uma Vida Nada Fácil, livro lançado pela ex-prostituta paulistana Raquel Pacheco em 2006.

Escritora e DJ, ela ganhou notoriedade ao lançar um blog com relatos picantes de suas experiências sexuais. O sucesso foi traduzido em números: o blog chegou a ter 15 mil acessos diários. Os relatos viraram livro com O Doce Veneno do Escorpião – O Diário de Uma Garota de Programa (2005), que anos depois chegou às telonas, com Deborah Secco no papel da protagonista.

Em ambos os títulos, o jornalista e professor universitário Jorge Tarquini é quem “toma o depoimento” de Rachel.

Ponto de vista

De acordo com a psicóloga especializada em vida digital, Ana Maria Albuquerque, o acesso à internet gera uma abertura maior para se falar sobre sexo. “Quando as práticas de sexo saem do privado e se tornam públicas na internet podem gerar sérios problemas de privacidade na rede. Blogs como o da Lola, no entanto, são uma forma de liberdade de expressão – tanto da escritora, como de quem lê e opina. Sexo é um assunto que atrai”, pontua.

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