Menu
Viva

Fotógrafo paulistano pedala pelo País em busca de imagens e histórias

Arquivo Geral

02/08/2015 6h00

“Com sol e chuva você sonhava que ia ser melhor depois. Você queria ser o grande herói das estradas. Tudo que você queria ser”. A canção, de Milton Nascimento e Lô Borges, marcou até agora a jornada do fotógrafo paulistano Felipe Baenninger. Na estrada há três anos com o projeto Transite, ele já percorreu mais de 11 estados de bike para fazer um fotolivro sobre a cultura da bicicleta no Brasil. 

Felipe iniciou sua viagem no dia 1º de junho de 2013, em Porto Alegre. Sozinho, passou  por Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e, em 2014, chegou até a região Norte. “A ideia do projeto surgiu quando a bicicleta apareceu para solucionar uma série de problemas que eu tinha, como me locomover em uma cidade caótica que é São Paulo. Se a gente pensar bem, toda bike tem uma história”, conta.

Em sua bike, além de roupas e produtos do Transite para vender, ele leva um fogareiro, alguns utensílios de cozinha, higiene pessoal, sua máquina e um notebook para poder compartilhar nas redes sociais fotos e vídeos com os apoiadores do Transite, que foi financiado por meio do site Cartase. No fim do projeto, quem ajudou vai  receber um fotolivro.

Apenas na última terça-feira o fotógrafo chegou à capital. “Vim pela BR-020 (Sobradinho) e as placas são todas feitas para o carro. O ciclista realmente fica um pouco perdido. Como cheguei no fim da tarde, quase encontrei a faixa reversível aberta”, explica Felipe. 

Transporte

A forma como o País lida com a questão do transporte alternativo, como a bicicleta, é uma das coisas que mais motivam o jovem em seu projeto. Por onde passou, Felipe percebeu vários problemas envolvendo o assunto. 

“O que mais dificulta o uso da bicicleta no dia a dia é a priorização da cidade pelo carro. Se você fica muitos anos sem andar, quando você volta, é muito assustador. A velocidade alta das vias e até a dificuldade em estacionar são um pouco opressivas”, relata.

A primeira fase do projeto foi concluída no Acre. Um dos lugares que, segundo Felipe, foi muito importante em sua jornada. “As pessoas, a história da borracha no Brasil, tudo é muito envolvente. Conversei com antigos seringueiros que, hoje, movimentam o comércio local. É a nossa cultura sendo ampliada”, revela.

Momentos inesquecíveis

Em uma cidade de Tocatins, Felipe conheceu um de seus personagens mais marcantes. “Um  músico, idoso, que tinha apenas 10% da visão, mas que andou de bicicleta a vida inteira. Isso me tocou”, diz. “Perguntei como ele conseguia se locomover e ele me disse que decorou a cidade, que tinha o mapa inteiro na cabeça, mas que o som também ajudava muito”, completa.

Na estrada, Felipe já entrevistou muitas pessoas. O projeto  só deve terminar em março de 2016, no Piauí.

Em terras candangas

Para desenvolver o projeto Transite, Felipe Baenninger conta com a ajuda de amigos. Antes de chegar a uma cidade, eles providenciam, pela internet, uma casa para o fotógrafo se hospedar. Mas, às vezes, eles não conseguem. “Já dormi na rua e até em ônibus. Mas, normalmente, sempre consigo um lugar para ficar”, revela, animado. Em Brasília, o jovem está hospedado em uma república na Asa Norte.

Despojado e sempre acompanhado de sua bicicleta, ao andar pelo bairro, ele notou que a cidade tem uma boa estrutura. “Aqui é bem bacana, mas eu quero ver como é a relação de quem mora nas regiões administrativas com a bicicleta. Quero saber como é a estrutura por lá também, além de ouvir histórias”, afirma.   

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado