
A duração é menor, mas nem por isso menos abrangente e/ou profissional. A produção de curtas-metragens (filmes de até 30 minutos) tem crescido em Brasília, no Brasil e no mundo. Em todos os sentidos, inclusive, em qualidade. Filmes de custo muito inferior aos longas-metragens, os curtas servem, muitas vezes, de porta de entrada para cineastas ainda pouco conhecidos. Para promover e celebrar o acesso a estas produções e uma nova safra de diretores, o festival Curta Brasília vai começar amanhã. Em sua terceira edição, o evento exibirá mais de cem curtas-metragens nas telonas do Cine Brasília (106/107 Sul).
Mais de 600 filmes foram inscritos. Baseados em tema e qualidade foram selecionados curtas premiados e inéditos, divididos em duas mostras competitivas: uma exclusiva para videoclipe e outra feita para curtas-metragens locais e nacionais. Sempre às 19h e às 21h, cinco filmes (dois locais e três nacionais) serão projetados na sala do Cine Brasília.
Além de sete mostras paralelas: Calanguinho, Um Dia A Gente (Se) Encontra, À Francesa, Prêmio Alemão de Curtas, Provocações e as mostras em homenagens – Visceral: O Cinema de Cláudio Assis; e Onipresença: O Cinema de Andrade. Esta última vai homenagear o ator Andrade Junior, conhecido pelas inúmeras participações em filmes da cidade.
Abertura
O dia de abertura contará com a exibição do curta A Louca História de Andrade Junior, às 19h. Dirigido por Érico Cazarré e Victor Pennington, o documentário conta a trajetória do ator.
A noite terá também mostra competitiva e discotecagem com o DJ Barata, a partir das 23h.
“Será uma honra participar do festival com o filme. Ele relata a carreira deste grande ator, que beira os 60 anos e é requisitado por todos os diretores de Brasília, e lá de fora”, explica Cazarré.
“Contamos várias histórias do Andrade, dos vícios em jogos a fase em que ele foi muambeiro no Paraguai. Muitas vertentes deste homem divertido, simpático e excêntrico”, completa o diretor.
Feitos por aqui, no Brasil e no mundo
Idealizado em 2012 pelos produtores culturais Ana Arruda e Alexandre Costa, o festival trará o melhor da produção local, nacional e internacional de curtas-metragens. Na mostra competitiva serão exibidos 30 títulos, dentre eles, alguns inéditos na cidade, outros premiados em festivais de outros estados.
É o caso do mineiro A Ala, de Fred Bottrel, curta-metragem que ganhou o Mix Brasil este ano. O filme relata a rotina de prisioneiros gays obrigados a conviver com o machismo e segregados em uma “ala gay”. Além do carioca O Clube, dirigido por Allan Ribeiro, grande ganhador dos festivais de Gramado e Paulínia na categoria curta-metragem.
Pratas da casa
Flertando com a ficção, o documentário conta a história da Turma OK, grupo de transformistas do Rio que celebram os 53 anos de funcionamento do clube que frequentam. “Apesar de ser um lugar que poderia muito bem ser um gueto ou uma balada noturna, tem uma cara de convívio familiar”, explica o diretor.
Representando Brasília estão curtas como Crônicas de Uma Cidade Inventada, de Luisa Caetano, premiado no Festival de Brasília deste ano, e Cine Drive-In – Cinema Sob o Céu, Cláudio Moraes. “Escolhemos filmes de alta qualidade, temáticas diversas que comprovam a força dos curtas-metragens. Vale a pena conferir o esta edição do festival”, garante a coordenadora Ana Arruda.