Brasília recebe, até o fim do mês, de segunda a sábado, das 10h às 19h, a primeira edição da Mostra de Imagem em Movimento (MAPA). Em cartaz na Casa de Cultura da América Latina (CAL), na Asa Sul, a exposição reúne dez obras de videoarte contemporâneas produzidas por artistas do Maranhão e do Pará e marca as comemorações dos 50 anos da videoarte no Brasil. Com entrada gratuita, a mostra propõe uma experiência imersiva que une arte, memória e patrimônio histórico.
Depois de passar por São Luís (MA) e Belém (PA), Brasília recebe a etapa de encerramento do circuito itinerante. Pela primeira vez, o projeto chega em formato de galeria, reunindo em um mesmo espaço videoartes, videoinstalações e conteúdos que apresentam os bastidores do processo criativo dos artistas.

Ao longo da visita, o público percorre diferentes ambientes da CAL. Na Galeria Urucum, estão reunidos os dez curtas-documentários produzidos para a mostra. Já a Galeria de Bolso apresenta entrevistas, comentários e registros do processo de criação das obras. A programação também ocupa a Galeria CAL, com videoinstalações que fizeram parte das edições realizadas no Maranhão e no Pará.
Segundo o coordenador-geral e curador do MAPA, João Pacca, o projeto nasceu para homenagear a memória ferroviária da Estrada de Ferro Carajás, que completa 40 anos, utilizando a arte contemporânea como forma de ampliar esse debate. “O MAPA é uma mostra que tenta criar um enredo para saudar a memória ferroviária, principalmente da Estrada de Ferro Carajás. Essa exposição reúne todo um ano de experiência, pesquisa e experimentação em um formato galerístico”, afirma.

A escolha da Casa de Cultura da América Latina para receber a exposição também faz parte da proposta curatorial. Para Pacca, o espaço fortalece o diálogo entre os artistas participantes e a identidade cultural latino-americana. “A Casa de Cultura da América Latina já é um acervo de cultura latino-americana. O MAPA reúne artistas do Maranhão e do Pará e apresenta esses trabalhos em um novo formato, permitindo que o público vivencie as obras de maneira mais dinâmica e provocativa”.
A seleção das obras começou com uma ampla pesquisa de campo realizada nos dois estados. Em seguida, um chamamento público recebeu 186 propostas de artistas. Destas, dez foram escolhidas para representar diferentes aspectos culturais relacionados à Estrada de Ferro Carajás.
“Não dava para falar desse patrimônio apenas pela literalidade. Selecionamos dez artistas que representam grandes nichos culturais. Quando as obras são vistas em conjunto, elas funcionam quase como um filme, com perspectivas diferentes, mas complementares”, explica o curador.

Entre os trabalhos apresentados estão Tudo é Correnteza, de Rafa Cardozo; Um Horizonte em Movimento, de Bárbara Savannah; Travessia, de Ícaro Matos; Todo trajeto, também é um rio, de Juruna; Alvorada e Fuga, de Leonardo Venturieri; Uma Casinha no Trilho, de Acaique; História da Terra, de Dinho Araújo; Frágil Dureza, de Inke; Temp(l)o do Rosa Fixado, de Ramusyo Brasil; e Sol de Meio Dia, de Silvana Mendes.
Além de valorizar a memória ferroviária, a mostra celebra meio século da videoarte brasileira. Para João Pacca, a linguagem, que surgiu como forma de experimentação artística, hoje estabelece novas relações com os espaços onde é apresentada. “A videoarte sempre esteve ligada à liberdade e à experimentação. Hoje, ela cria uma relação com o lugar onde é instalada. Ela transforma o espaço e também é transformada por ele”.
Ao longo da circulação por São Luís, Belém e Brasília, o projeto soma mais de oito horas de programação artística, cerca de 3,2 mil metros quadrados de arte exibida, além da participação de 230 colaboradores e 40 organizações.
Para o curador, mais do que apresentar obras, a proposta é estimular novas interpretações do público sobre a arte e o patrimônio cultural. “A arte é sobre produção de discurso. Esperamos que o público enriqueça esse diálogo e saia daqui com novos símbolos e novas formas de olhar para essas histórias”.
SERVIÇO:
MAPA
Quando: até 31 de julho
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h
Onde: Casa de Cultura da América Latina (CAL)
Entrada: gratuita