O fotógrafo Araquém Alcântara inaugura, nesta segunda-feira (1º), a exposição “O Brasil de Araquém Alcântara”, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A mostra reúne imagens em grandes formatos que celebram mais de cinco décadas de carreira de um dos principais nomes da fotografia documental e ambiental brasileira.
Reconhecido como pioneiro da fotografia de natureza no país, Araquém construiu, ao longo de 56 anos de trajetória, um acervo com cerca de 500 mil imagens, registrando biomas, povos tradicionais, cenas do cotidiano brasileiro e os impactos da devastação ambiental em diferentes regiões do país.
Além da exposição, o evento marca o lançamento do livro “50 anos de fotografia”, obra com mais de 500 páginas e 220 imagens selecionadas, que sintetiza a trajetória do artista desde os primeiros registros feitos no litoral paulista até os trabalhos mais recentes sobre queimadas, desmatamento e mudanças climáticas.

Para construir a exposição, Araquém reuniu fotografias produzidas ao longo de décadas de trabalho e organizou o material por temas. “Tentei resumir esses já 56 anos de carreira a partir dos 62 livros que publiquei até o momento”, afirma o fotógrafo.
Segundo ele, o processo curatorial partiu da separação entre imagens em preto e branco e coloridas, distribuídas em categorias como paisagens, pessoas, indígenas, bichos e destruição ambiental. “De um total de cerca de 3 mil imagens, cheguei a 50 fotografias que foram ampliadas em papel alemão Hahnemühle, em formatos de até 2 metros”, explica.
A mostra também incorpora textos escritos pelo próprio artista e conta com apresentação assinada pelos críticos Eder Chiodetto e Rubens Fernandes Junior.
Mais do que um percurso fotográfico, a exposição apresenta uma reflexão sobre o avanço da destruição ambiental no Brasil. Em tom crítico, Araquém define sua produção como “a crônica da beleza e do extermínio”.

“Retrato um país que possui a maior biodiversidade do mundo, mas que caminha a passos largos para a desertificação. “Hoje percorro milhares de quilômetros na beira da floresta e vejo fumaça, terra calcinada, garimpo sangrando a terra, carvoarias engolindo madeira e a soja avançando sobre os biomas”.
A preocupação ambiental atravessa toda a obra do fotógrafo, que documentou a Amazônia, o Pantanal, a Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga e os Pampas ao longo de décadas. Segundo ele, a intenção do livro e da exposição é provocar consciência coletiva diante da crise climática. “A obra pretende provocar indignação, consciência e atitude. Minha fotografia clama por salvar o que ainda pode ser salvo”, diz.
Para os curadores, o legado de Araquém ultrapassa a fotografia de natureza. Eder Chiodetto define a produção do artista como “um dos monumentos iconográficos mais valiosos e incontornáveis da historiografia brasileira”. Já Rubens Fernandes Junior afirma que o fotógrafo criou uma identidade visual para o país ao transformar a imagem em “arma de conhecimento”.
Araquém também defende que o papel do fotógrafo vai além do registro estético. “A fotografia é testemunho. É resistência da memória”, afirma. Segundo ele, o fotógrafo precisa assumir um papel de provocador e intérprete do seu tempo.
Ao revisitar cinco décadas de trabalho, a exposição revela um artista que transformou a câmera em instrumento de denúncia social, preservação ambiental e defesa dos povos historicamente invisibilizados. “Sou um cronista da beleza e do extermínio. Um artista de combate”.
Serviço
Exposição “O Brasil de Araquém Alcântara” e lançamento do livro “50 anos de fotografia”
Data: 1º de junho de 2026
Horário: 19h
Local: Mezanino do Edifício dos Plenários do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília