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Exposições

Exposição na Biblioteca Nacional de Brasília registra 24 anos de tradição de terreiro de matriz africana

Mostra “Olhar Ancestral”, do fotógrafo Luan Brasil, abre em 17 deste mês e reúne registros da trajetória do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon; programação inclui roda de conversa sobre arte, memória e educação

Aline Teixeira

14/08/2026 16h00

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Ritual à Onilê Luan Brasil, 2025.

A Biblioteca Nacional de Brasília recebe, a partir de segunda-feira (17), a exposição “Olhar Ancestral: 24 Anos de Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon”. A mostra reúne fotografias do professor, mestre e fotógrafo Luan Brasil e apresenta registros de mais de duas décadas de história de um território de matriz africana, destacando aspectos da espiritualidade, dos ritos, da cultura, das relações comunitárias e da transmissão de saberes ancestrais.

A abertura acontece às 19h, seguida, às 20h, pela roda de conversa “Olhar Ancestral: arte, memória e educação nos territórios de matriz africana”. A programação é realizada pelo Instituto Ojuiná e propõe aproximar o público de discussões sobre memória, patrimônio cultural, produção artística e preservação dos conhecimentos tradicionais.

Com curadoria do Babalorixá Veber Brasil, do professor doutor Fausto Viana, da ECA-USP, e da mestre Maria Eduarda Borges, também da ECA-USP, a exposição acompanha a trajetória de 24 anos do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon por meio de imagens produzidas a partir de uma relação próxima entre fotografia, pesquisa e vivência da ancestralidade.

Fotografia como registro de memória

A escolha de Luan Brasil para conduzir o registro está relacionada à sua trajetória acadêmica e artística, além de sua ligação direta com os territórios de matriz africana. Fotógrafo, pesquisador e gestor cultural, ele é graduado em Fotografia e possui formação em Direção de Arte em Comunicação e Gestão e Transformação Digital.

Sua pesquisa acadêmica na Universidade de São Paulo é voltada ao patrimônio cultural do Candomblé Efon e à memória ritual do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon. Ao longo da carreira, também desenvolveu trabalhos relacionados às visualidades negras, aos trajes do Candomblé Efon e ao patrimônio cultural das tradições afro-brasileiras.

Entre seus trabalhos estão registros de exposições como “A Costura do Sagrado: Trajes de Ritos Afro-brasileiros”, realizada em 2024, além de pesquisas e projetos relacionados à história dos trajes brasileiros e às manifestações visuais do patrimônio cultural.

Luan também atua na organização e curadoria de exposições, como “Armaduras de Corpo e Espírito: Trajes de umbanda, candomblé, ritos e folguedos afro-brasileiros”, realizada no Espaço das Artes da USP.

A relação com o território retratado se estende à sua atuação no Instituto Ojuiná. Luan é vice-presidente da instituição e Babaegbé do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon. A proximidade entre pesquisa, produção artística e vivência comunitária orienta a construção da mostra.

Nesse contexto, as fotografias não aparecem apenas como registros documentais, mas como parte de uma narrativa construída a partir da memória e das experiências de uma comunidade. Corpos, espaços, objetos, ritos e relações são apresentados como elementos de uma tradição transmitida entre gerações.

Saberes ancestrais em debate

Após a abertura da exposição, a programação segue com uma roda de conversa que reúne Babalorixás, Yalorixás, pesquisadores, artistas, representantes de instituições e agentes culturais.

O encontro pretende discutir o papel dos territórios de matriz africana na preservação da memória, na produção artística e na transmissão de conhecimentos. Também estarão em pauta os desafios relacionados à preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro e ao enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa.

A proposta é colocar os próprios detentores dos saberes no centro da discussão e estabelecer um diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade.

A atividade dá continuidade a iniciativas de diálogo interinstitucional desenvolvidas por Luan Brasil. Em 2025, o fotógrafo participou e mediou debates sobre racismo, intolerância religiosa e tradições de matriz africana, reunindo lideranças religiosas, pesquisadores e representantes de instituições públicas.

Já em 2026, por meio do Projeto Territórios Afrocandangos, o Instituto Ojuiná promoveu uma oficina gratuita de fotografia com celular como ferramenta de registro cultural, voltada ao povo de santo e à comunidade em geral. A atividade teve repercussão em veículos de comunicação.

Memória e patrimônio

“Olhar Ancestral” propõe ao público uma experiência que ultrapassa o aspecto visual das fotografias. A mostra apresenta a ancestralidade como uma dimensão viva, presente nos espaços, nas pessoas, nos objetos, nos ritos e nos conhecimentos compartilhados entre diferentes gerações.

Ao ocupar a Biblioteca Nacional de Brasília, a exposição amplia a visibilidade de uma trajetória específica que também se conecta à formação cultural brasileira. A mostra celebra os 24 anos do Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon e reforça a fotografia como instrumento de documentação, educação, valorização cultural e preservação da memória.

Exposição: “Olhar Ancestral: 24 Anos de Ilê Àṣẹ Òjúiná Sọ̀ròkè Efon”
Fotografias: Luan Brasil
Curadoria: Babalorixá Veber Brasil, Prof. Dr. Fausto Viana (ECA-USP) e Me. Maria Eduarda Borges (ECA-USP)
Data: 17 de agosto de 2026
19h: coquetel de abertura da exposição
20h: roda de conversa “Olhar Ancestral: arte, memória e educação nos territórios de matriz africana”
Local: Biblioteca Nacional de Brasília (BNB)
Realização: Instituto Ojuiná e parceiros
Instagram: @institutoojuina

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