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Viva

Exposição reúne memórias do Holocausto em colagens

Arquivo Geral

24/03/2015 6h30

Alan Resah
Especial para o Jornal de Brasília

Dor, esperança, sofrimento, alegria e melancolia. Ao respirar fundo é possível notar esses e muitos  outros sentimentos nas imagens da exposição As Meninas do Quarto 28, em cartaz a partir de hoje, no Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios). A mostra traz desenhos, colagens e aquarelas de meninas judias, de 12 a 14 anos, que viveram no alojamento L410 – quarto 28, e que foram vítimas, diretas e indiretas, do maior genocídio do século 20, durante a Segunda Guerra Mundial.

Todos os trabalhos são fruto do estímulo de prisioneiros adultos de Theresienstadt, fortaleza situada a 60 quilômetros de Praga, onde músicos, artistas, cientistas e intelectuais formaram um gueto e decidiram, a partir dos seus conhecimentos, criar momentos de esperança e alivio às crianças, também prisioneiras. “Elas eram enviados para guetos ou campos de extermínio. Muitas dessas meninas nem sabiam porque estavam lá, porque não podiam brincar com as suas vizinhas”, conta Karen Zolko, curadora da exposição e sobrinha de Erika Stranska, uma das meninas do quarto 28.

“Quando os adultos e crianças iam para o campo de concentração, elas eram divididas em dois grupos aleatórios. Para um lado iam as que permaneceriam vivas, para o outro, as que iriam para os banhos de higienização – que nada mais eram do que câmaras com chuveiros, de onde, ao invés de água, saia o gás letal que as matavam”, explica.

 

Prova pulsante

Para Karen, a exposição representa o ponto onde é possível notar com riqueza de detalhes as atitudes racistas e os horrores daquela ápoca, que buscava eliminar uma cultura, um povo e uma religião. “Além de contar uma parte da história da Segunda Guerra Mundial e dos horrores do nazismo, a exposição serve de exemplo para que as pessoas não sejam preconceituosas”, salienta a curadora.

Um dos destaques da mostra é a réplica fiel do quarto onde as garotas viveram entre os anos de 1942 e 1944. A exemplo do espaço original, a reprodução possui quatro treliches, cadeiras e uma pequena mesa dispostos em uma área de 18 metros quadrados.

As meninas do quarto 28 deixaram mais de três mil desenhos, testemunhos artísticos e extremamente sensíveis da história da Tchecoslováquia. Apenas 15 delas sobreviveram para contar a história desse estimulo artístico, considerado hoje um dos precursores da arte terapia.

 

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