Lúria Rezende
Especial para o Jornal de Brasília
Brasília tem “apenas” 55 anos, mas é carregada de memória. Uma pequena prova é a exposição Ensaios Sobre o Tempo, registro fotográfico do coletivo Punctum, formado pelo fotógrafos Arthur Monteiro, Henry Macário e Isabela Lyrio. Em exibição até 17 de julho, a mostra reúne 45 fotos de relatos que mostram o contraste entre utopia e realidade na capital federal.
O projeto do coletivo, que contou com a ajuda do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e resultou num livro, usa a fotografia como ferramenta e como próprio objeto a ser fotografado. O trio documentou três temas diferentes: as ruínas da Piscina de Ondas e seus ex-frequentadores, por Henry Macário; o atual abandono da W3 Sul, registrado por Isabela Lyrio; e os pioneiros da construção de Brasília, que hoje moram na Candangolândia, abordadas por Arthur Monteiro. “Cada um focou no que mais lhe chama a atenção na cidade. A partir daí tivemos uma variedade de olhares e linguagens desenvolvidas”, explica Isabela Lyrio.
Com uma reflexão além do concreto, a mostra expõe a memória afetiva da cidade. “O nosso objetivo é exibir as lembranças vividas e não vividas da cidade como a realidade dos pioneiros da construção de Brasília, por exemplo”, completa a artista.
Meio e instrumento
Idealizado por fotojornalistas, o coletivo, criado em 2007, surgiu da vontade de desenvolver um trabalho diferente do realizado no cotidiano. “Nossa vertente como equipe é voltada para a fotografia documental, com uma metodologia inclinada à uma linguagem mais conceitual”, define.
Por nove meses, o coletivo Punctum investigou o processo de amadurecimento da capital. “Decidimos registrar a cidade a partir das nossas lembranças e as de outras pessoas. Para nós, a foto é o meio e o instrumento”, garante a fotógrafa.
Intervenção urbana
O projeto também inclui intervenções urbanas espalhadas pelo DF. O Plano Piloto e seis Regiões Administrativas foram agraciadas com 18 fotos, em formato grande, coladas e observadas ao longo da pesquisa. “Quisemos fazer uma brincadeira com o tempo. Fotografamos a ação do tempo e das pessoas por nove meses”.
“Nosso intuito é instigar as pessoas a pensar na própria cidade como um ser pertencente a ela. O resultado é muito interessante”, finaliza.