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No Dia Nacional do Maracatu, grupos do DF se encontram em Planaltina para celebrar a cultura do baque

III Encontro de Baques reúne mais de 250 batuqueiros em celebração da cultura afro-brasileira, com cortejo, lavagem das baianas, e outras coisas com entrada franca

Amanda Karolyne

31/07/2026 18h15

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Foto: Divulgação

 O Dia Nacional do Maracatu é celebrado no dia 1º de agosto. Nesta data, mais de 250 batuqueiros de oito grupos do Distrito Federal se encontram em Planaltina para fazer o chão pulsar. O III Encontro de Baques do DF vai transformar o Complexo Cultural de Planaltina em um grande território de celebração da cultura popular e da força coletiva do maracatu. A programação acontece das 13h às 21h, é de forma gratuita e reúne música, cortejo, memória, espiritualidade, cinema, economia criativa e convivência.

O evento é realizado pelo Maracatu Tambores do Amanhecer, de Planaltina, e pelo Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Distrito Federal. Durante o encontro também será feita a devolutiva da Carta da Cultura aos grupos de Maracatu, com demandas levantadas pelos próprios coletivos no encontro de 2025. Rafael Reis, coordenador-geral do Comitê, explica que “a carta serve como documento orientador para a busca de políticas públicas que considerem as características da tradição”. 

Celebração e resistência 

Para Daniel Pernambuco, fundador, coordenador e mestre do Maracatu Tambores do Amanhecer, realizar o Encontro de Maracatu do Distrito Federal no Dia Nacional do Maracatu é um ato de celebração, resistência e valorização dessa manifestação cultural de origem afro-brasileira. “Mais do que uma apresentação artística, o encontro fortalece os laços entre as nações, grupos e comunidades, promove a preservação das tradições e amplia o reconhecimento do Maracatu como patrimônio vivo da nossa cultura.”

Ele reforçou que celebrar essa data no DF reafirma o compromisso com a diversidade cultural, a ancestralidade e o respeito às raízes que mantêm essa expressão pulsando em diferentes territórios do Brasil. Como ele descreveu, o Maracatu surgiu como válvula de escape para os povos africanos poderem manifestar sua cultural. Foi criado durante a coroação do Rei do Congo, onde era realizado um festejo. “Ele envolve música, dança e cortejo.” Essa arte é originária de Pernambuco no século XVIII e servia como uma forma de união e culto secreto das comunidades negras sob sincretismo com o catolicismo. 

Reconhecido como patrimônio imaterial brasileiro pelo Iphan, Daniel conta que no DF, um dos primeiros grupos era o Tambores do Paranoá, e com o encerramento do grupo, os batuqueiros foram criando outros grupos. Hoje são 9 grupos no DF, sendo 2 filhos de nações, ligadas ao Nações de Pernambuco.

Programação


O evento começa com a simbólica lavagem do percurso, conduzida por baianas, babalorixás e lideranças religiosas afro-brasileiras. É o momento de preparar o caminho para o cortejo e abrir espaço para a força ancestral que atravessa o maracatu.

Depois, é o baque que toma conta do Complexo Cultural de Planaltina. O som grave das alfaias se encontra com o toque das caixas, o balanço dos agbês e a marcação dos gonguês. O resultado é uma grande roda de ritmos, cores e histórias, um encontro em que cada grupo chega com sua identidade e todos se encontram para celebrar.

A programação inclui ainda a exibição do documentário Esse Som é Massa, que registra memórias e experiências das comunidades brincantes, além de uma feira de artesanato e gastronomia, valorizando a economia criativa e os saberes produzidos nos territórios.

Ao reunir grupos de diferentes partes do DF, o evento dá visibilidade a uma rede que há anos produz, ensaia, ensina e brinca maracatu no Planalto Central, mantendo os tambores afinados e fazendo da cultura uma prática viva, coletiva e cotidiana. Oito grupos participam do evento: Maracatu Tambores do Amanhecer, de Planaltina; Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante, do Paranoá; Zenga Baque Angola, do Guará; Baque Dandalunda, da Ceilândia; Baque Mandaçaias, do Jardim Botânico; Baque Folha, de Samambaia; Grupo Vivendo e Batucando, da Asa Norte; e Baque Lobo Guará, do Noroeste. 

Instituído pela Lei Federal nº 15.018/2024, o Dia Nacional do Maracatu é celebrado anualmente em 1º de agosto em todo o país. A data homenageia a manifestação cultural pernambucana, reconhecida como patrimônio cultural do Brasil, e sua celebração ganha novos sotaques e territórios à medida que o maracatu se espalha e cria raízes em diferentes regiões.

Serviço
III Encontro de Baques — Grupos de Maracatu do DF
Data: 1º de agosto de 2026, sábado
Horário: das 13h às 21h
Local: Complexo Cultural de Planaltina — DF (Avenida Uberdan Cardoso, St. Administrativo Lote 02 / ao lado da Rodoviária de Planaltina)
Entrada: gratuita e livre para todos os públicos

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