Há cerca de dois anos, a Galeria dos Estados, no centro de Brasília, ganhou uma nova rotina com a presença de artistas circenses, malabaristas e pessoas interessadas em aprender diferentes modalidades do circo. O Encontro de Malabares e Circo de Brasília nasceu a partir de encontros informais entre amigos que praticavam malabares e, com o tempo, se transformou em uma iniciativa independente voltada à formação, troca de experiências e ocupação cultural.
A ideia surgiu quando os participantes perceberam que os locais utilizados para os treinos não ofereciam estrutura adequada para a prática. Os primeiros encontros aconteciam na Universidade de Brasília (UnB), mas o espaço da biblioteca, especialmente aos domingos, era limitado para atividades que envolviam tecidos, cordas, claves e outros equipamentos.
Foi então que os organizadores passaram a buscar um espaço público que fosse acessível para pessoas de diferentes regiões do Distrito Federal. A Galeria dos Estados foi escolhida pela localização estratégica, próxima ao metrô, à Rodoviária do Plano Piloto e a diversas linhas de ônibus.
Segundo Gonzalo Rodriguez, organizador do encontro, a escolha também contribuiu para ressignificar a relação da população com a Galeria dos Estados. O local, que por muito tempo foi associado à falta de iluminação, sujeira e insegurança, passou a receber uma ocupação artística regular.
“A nossa chegada tem ajudado a transformar o espaço. Mantemos o local mais habitável, com cuidado com a limpeza e com uma ocupação artística e social. Muitas pessoas também se sentem mais seguras quando estamos lá”, afirma Gonzalo.
Circo para todos
O encontro é aberto a pessoas de diferentes idades e níveis de experiência. Não é necessário ser artista profissional ou ter conhecimento prévio para participar. A proposta envolve não apenas os malabares, mas diferentes áreas relacionadas ao universo circense e às artes.
Teatro, música, maquiagem, figurino, artes plásticas, design, montagem e organização são algumas das áreas que podem fazer parte das atividades. Para os organizadores, o circo funciona como um espaço de aprendizado coletivo, no qual conhecimentos são compartilhados entre participantes com diferentes trajetórias.
“O circo é uma família muito grande, que reúne muitas artes. É uma atividade muito ampla, não voltada para um único público”, explica Gonzalo.
Encontros toda quarta-feira
As atividades acontecem todas as quartas-feiras, na Galeria dos Estados, com treinos, troca de conhecimentos, oficinas e vivências. A programação é construída de forma colaborativa: artistas e participantes que desejam compartilhar alguma habilidade podem propor aulas e atividades.
As oficinas contemplam diferentes níveis, do básico ao avançado, permitindo que iniciantes e praticantes experientes compartilhem o mesmo espaço. Quem chega pela primeira vez pode observar, experimentar, aprender e trocar experiências com os demais participantes.
Na última quarta-feira de cada mês, a programação ganha uma atração especial: o Palco Aberto, momento em que artistas podem apresentar números e compartilhar seus trabalhos com o público. Em algumas edições, a noite também conta com vivências de tecido e outras atividades.
Ocupação cultural e formação artística
Além de funcionar como local de treinamento, o Encontro de Malabares se consolidou como espaço de convivência e desenvolvimento de artistas do Distrito Federal. Participantes de Taguatinga, Ceilândia, Gama, Novo Gama, São Sebastião, Sobradinho, Santa Maria, Recanto das Emas e outras regiões estão entre os frequentadores.
A iniciativa também já recebeu artistas estrangeiros e viajantes ligados ao universo circense, que contribuíram para ampliar a troca de conhecimentos e experiências dentro da comunidade.
Para Gonzalo, o crescimento do projeto demonstra a importância de iniciativas independentes para fortalecer a cena cultural de Brasília.
“Depois de dois anos realizando o encontro, podemos dizer que ele cresceu e se tornou uma ferramenta importante para o desenvolvimento de muitos artistas”, destaca.
Os desafios para manter o projeto gratuito
Apesar do crescimento, manter uma iniciativa gratuita exige esforço dos próprios participantes. Entre os principais desafios estão os custos de deslocamento e a aquisição e manutenção de equipamentos utilizados nas atividades.
Materiais didáticos, brinquedos, equipamentos de música e outros itens necessários para as oficinas podem ter um custo elevado. Além disso, os organizadores precisam conciliar a realização dos encontros com suas próprias atividades profissionais.
“Nos dias de encontro precisamos interromper nossa rotina de trabalho e dedicar o dia inteiro — às vezes até a semana inteira — para que a atividade aconteça. Essa dedicação também é uma das dificuldades para manter o encontro gratuito”, explica Gonzalo.
Mesmo diante das dificuldades, o projeto segue reunindo artistas e novos praticantes e fortalecendo uma comunidade que encontrou na Galeria dos Estados um espaço para aprender, ensinar, criar e ocupar a cidade por meio da arte.
Serviço Encontro de Malabares e Circo de Brasília
Local: Galeria dos Estados, Brasília
Quando: todas as quartas-feiras
Programação: treinos, oficinas, vivências e atividades circenses
Palco Aberto: última quarta-feira de cada mês
Participação: gratuita e aberta ao público