Pela primeira vez no Brasil, o DJ e produtor Deejay Rifox desembarca em Brasília para integrar a programação do Resenha Favela Sounds, neste sábado (19), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Representante da nova geração da música eletrônica de Lisboa, o artista leva para a pista uma mistura de afrohouse, kuduro e batida, além de referências culturais de sua origem em São Tomé e Príncipe. Ao lado dele, a programação reúne a DJ paranaense Clementaum, Katy da Voz e As Abusadas, DJ K, o Bruxo, Faizal Mostrixx, Moesha 13 e os artistas do Distrito Federal UMiranda e SASKIAVIBES. Os nomes representam diferentes vertentes da música eletrônica periférica, como funk, afrohouse, kuduro, amapiano, techno, vogue e tribal house, em uma noite dedicada às conexões entre Brasil, África e suas diásporas.


A estreia no país é aguardada com entusiasmo pelo artista. “As minhas expectativas são muito altas, eu acho que vai ser incrível. Brasil já é um sítio que eu queria ir há muito tempo, eu já viajei ao longo do mundo e só faltava mesmo vir ao Brasil”, conta Rifox.
A apresentação também representa um encontro entre cenas musicais que, apesar das diferenças geográficas, compartilham experiências semelhantes nas periferias. Para o DJ, a energia presente nas produções dos subúrbios de Lisboa se aproxima da vivida nas favelas brasileiras. “Em relação à energia da música das favelas e dos bairros, eu acho que não tem diferença nenhuma. Acho que nós, dos subúrbios, da urbanização no caso, temos todos a mesma energia e acho que focalizamos isso muito na música.”
Segundo ele, as semelhanças também aparecem na forma como os artistas desenvolvem suas trajetórias. Rifox começou a produzir música ainda jovem na Associação Espaço Mundo, em Lisboa, onde continua mantendo seu estúdio e criando até hoje. “Desde criança que eu frequento a associação e foi lá que eu comecei a produzir, no caso, porque eles conseguiram arranjar equipamento para eu poder produzir e comecei a partir de lá”, explica.
O espaço teve participação direta na construção de sua carreira. “Todas as músicas que eu fiz, todas as músicas que têm milhões de visualizações, eu fiz dentro da associação e até hoje continuo a produzir nessa associação.” A relação com a comunidade também atravessa sua produção e ajuda a explicar a forte presença das referências africanas em seu trabalho.
Entre os lançamentos mais importantes da trajetória está “Rebola Ti Txon”, faixa produzida ao lado da mãe, Tia Vivix. Para Rifox, a parceria ganhou um significado especial justamente por unir música e família. “É uma música muito importante para mim. Eu acho que é muito importante termos a família junto do nosso trabalho.”
A colaboração nasceu de forma espontânea dentro da própria associação, onde a mãe do artista atua como presidente. “Ela costuma me ver muito a produzir dentro da associação. Eu estava a produzir o beat, ela gostou do beat, eu disse, ‘oh, entra’. E foi basicamente assim que surgiu o dito ‘Rebola Ti Txon’.”
A faixa também carrega referências de outras culturas lusófonas. O nome vem do crioulo de Cabo Verde, país onde Rifox já se apresentou mais de cinco vezes e com o qual afirma ter forte identificação. “É um país que eu também me identifico muito”, diz o artista, que atualmente vive um novo momento de repercussão ao lado da mãe.
Recém-lançada, a música “Takaloi” também vem ganhando espaço nas plataformas e nas paradas de Portugal, Cabo Verde e Luxemburgo. “Neste preciso momento, eu e a minha mãe acabámos de lançar uma nova música que está nas tendências de Cabo Verde também, se não me engano está no top 3”, afirma. Segundo o DJ, a faixa chegou ainda às tendências de Portugal e Luxemburgo.
Para a apresentação no Resenha Favela Sounds, a promessa é de um set intenso. Ao definir o que o público pode esperar, Rifox resume a experiência em três palavras: “energético, inexplicável e padrigada”. O termo, usado por ele para descrever uma apresentação capaz de “rebentar” a pista, traduz a proposta de um show construído para a dança.
A expansão da música periférica para circuitos internacionais também é observada pelo artista como um movimento natural. “Eu acho que não tinha como o circuito global não se render a nós”, afirma. Para Rifox, a força dessas produções está na conexão com experiências vividas cotidianamente. “As comunidades ao redor do mundo, as pessoas que lá vivem, vivem todas com ritmo, nascemos e somos criados com ritmo em casa, fora de casa.”
Na avaliação do DJ, essa relação faz com que as músicas sejam produzidas de maneira orgânica e encontrem identificação em diferentes lugares. “Nós temos mesmo a nossa personalidade dentro das músicas, então eu acho que as pessoas acabam por se identificar com isso.”
A passagem pelo Brasil também representa uma oportunidade de troca cultural. Entre os próximos passos, o artista pretende levar novas referências brasileiras para suas produções e estimular o intercâmbio entre as cenas. “Continuar a lançar mais músicas, desta vez trazer um pouco da vossa raiz, um pouco de água que eu vou beber aí de vocês”, adianta.
Rifox também deseja aproximar jovens produtores brasileiros da sonoridade desenvolvida nos subúrbios portugueses. “Tentar incentivar também que pessoas do Brasil comecem a fazer o nosso afrohouse”, afirma, citando o “Adidas Xaguada”, nome utilizado, segundo ele, para essa vertente do afrohouse em Portugal.
Mais do que uma estreia, a participação no Resenha Favela Sounds marca, para o artista, o início de uma relação mais próxima com o público brasileiro. “Certamente levar a minha música para o Brasil e sair daí com mais ouvintes do Brasil”, resume.
Serviço
Resenha Favela Sounds
Data: 19 de setembro (sábado)
Horário: das 22h às 5h
Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília)
Endereço: SCES, Trecho 2, lote 22, Brasília – DF
Entrada: gratuita
Ingressos: retirada a partir de 18 de setembro, pelo site do CCBB Brasília e na bilheteria