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Viva

Estrutura sem acessibilidade na Escola de Música

Arquivo Geral

23/01/2015 7h30

Raquel Martins Ribeiro
Especial para o Jornal de Brasília

Fazer valer os direitos das pessoas com deficiência é um desafio em todas as esferas sociais. Mudanças concretas e efetivas ainda acontecem de maneira lenta em todo o País. No 37º Curso Internacional de Verão, que acontece até o dia 29 de janeiro, na Escola de Música de Brasília, não é diferente. Segundo Martha Sousa, aluna da instituição há mais de 20 anos, a acessibilidade da escola pouco evoluiu durante esse tempo. “Poucas melhorias foram realizadas. Preciso de ajuda até para utilizar o banheiro”, reclama a estudante.

Martha ingressou na Escola de Música para participar do coral Cantos Firmes, em 1994, e não saiu mais. “Por meio do coral, tive a oportunidade de viajar para os Estados Unidos, Itália, Equador e Argentina”, conta. 

Apaixonada pelas canções do maestro Heitor Villa-Lobos, a cantora optou por estudar canto erudito em 2008, quando conseguiu se tornar aluna efetiva. “Quando me formei, em 2013, continuei fazendo os cursos de verão, como uma forma de não perder o vínculo com a escola”, comenta.

Dificuldades

Apesar de toda a efervescência cultural que envolve a atmosfera do evento, que faz com que essa seja a oitava edição do curso que Martha participa, não são poucos os obstáculos enfrentados pela aluna, anualmente, para conseguir participar das aulas.

No fim, tudo vale a pena

Martha enumera algumas dificuldades que enfrenta durante no espaço. “Eles colocam a aula de canto erudito, normalmente, em salas de difícil acesso pra mim. Por vezes, tenho que subir uma escada em péssimas condições, que representa um risco para mim, e para as pessoas que tentam me ajudar”, desabafa.

Nem sempre a preferência pela disciplina é o que prevalece. Algo comum é acabar optando pela aula em que o acesso lhe parece mais fácil. “Quando não consigo que mudem a sala, sou obrigada a mudar a minha escolha de disciplina, uma falta de respeito”, completa a artista, que se programa para poder aproveitar as duas semanas de workshop. “Tiro férias todos os anos justamente na época do curso, para poder participar”, diz.

“É muito bom receber conhecimento de professores tão renomados. Poder trocar informações com alunos de todos os lugares e com vivências tão diferentes das minhas. Fazer música no corredor. Tudo isso faz valer a pena”, pondera Martha, que mesmo com todas as dificuldades, se mantém otimista para essa edição, e aponta o que, segundo ela, é o “grande diferencial”.

“Com a redução do número de alunos, teremos aulas que renderão muito mais. A superlotação atrapalhava o andamento. Agora, cada aluno conseguirá extrair muito mais do professor”, afirma.

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