Da Redação
cultura@jornaldebrasilia.com.br
O rock’n’roll muda a todo instante, se reiventa e se divide em sub-gêneros – como pop, metal, britânico, punk – para acompanhar as novas gerações. Nascido na década de 1980, o indie rock começou a ganhar mais adeptos no Brasil só agora, no século 21. O Lollapalooza, que rolou em São Paulo em março deste ano, é o principal evento do indie no País. Em Brasília, o número de eventos voltados a esse público não para de aumentar. Reduto dos moderninhos, o La Ursa (Setor Bancário Norte) é cenário de uma das festinhas indie mais bacanas da capital. A próxima Indie Party acontece no fim de semana que vem. Amanhã, no local, às 23h, acontece a festa Ressaca Parte II, com repertório recheado de hits do Arctic Monkeys, Foster The People, Florence + The Machine, The Strokes, dentre vários outros artistas do cenário indie.
Além do La Ursa, o Velvet Pub (Via W1 Norte) e o 5uinto (102 Norte) também são boas opções para curtir uma balada indie. A Indie Party nasceu em São Paulo e foi trazida para a capital pelo produtor cultural Handys Klaus, que criou uma versão brasiliense da balada após frequentar edições na capital paulista. “Tinha amigos em Brasília que conheciam e que gostavam da festa. Resolvemos marcar uma primeira edição e deu super certo”, conta Handys.
Energia de festivais
Klaus conta que sente uma energia diferente vinda do público das festas indies em relação a outras, como as de música eletrônica. “Nesses quatro anos em que eu faço festas indies pelo Brasil notei que rola essa energia, que é um público diferente, quase o de festivais, que canta suas músicas favoritas a noite inteira”.
“O crescimento das festas indies na capital vem desde os anos 2000, com a era do MP3 e, depois, com o YouTube. O cinema e a TV também propagaram novas bandas”, conta um dos responsáveis pela produção do La Ursa, Henrique Aragão.
Definir o que de fato é música indie não é uma tarefa muito fácil. Surgido nos anos 1980, no Reino Unido e nos Estados Unidos, o estilo tem como marca registrada as bandas alternativas, que não possuem contrato com grandes gravadoras. Atualmente a coisa não é bem assim e, quem leva ao delírio o público das baladinhas da capital, não tem carreira muito diferente de artistas mainstream (termo usado para definir grupos e músicas queridinhos da indústria musical).
Fãs de Carteirinha e bandas de fora
Entre o grunge, classic rock e o britpop, o indie também é tocado na Stage. Na festa, a maior parte das músicas é formada por bandas covers. As festas acontecem quase sempre no Arena Futebol Clube (Setor de Clubes Esportivos Sul).
Segundo os organizadores das baladas indies brasilienses, o público das festas tem entre 18 e 25 anos. Mas há fãs mais velhos também. Com 28 anos, o fotógrafo Pedro Camargo curte todos os gêneros de rock’n’roll e é frequentador assíduo da Stage. “Vou a todas desde que (a festa) existe. Chego até a adiar uma viagem só para não perder”, garante. “Eu acho que a Stage é uma festa diferenciada”.
Veteranos e novatos
O indie ganhou mais força nos anos 2000 com The Strokes, formada ainda em 1998. A banda chamou a atenção do mundo com o disco Is This It. Reunida em 2002, The Killers, tema da Indie Party da semana que vem, estreou seu primeiro trabalho, Hot Fuss, dois anos depois.
Mais voltada ao indie pop do que ao rock propriamente dito, a novata Echosmith, formada por quatro irmãos, faz sucesso com o disco de estreia, Talking Dreams. Eles começaram gravando vídeos na internet e já são conhecidos pelo hit Cool Kids.
Made in Brasília
Brasília também tem banda indie. Antes conhecido pelo nome Nancy, o grupo brasiliense Sexy Fi voltou à cena com o clipe Pequeno Dicionário das Ruas em 2013. “A banda realiza cerca de quatro ou cinco shows por ano em Brasília, em locais como CCBB ou durante o Porão do Rock”, conta o guitarrista João Paulo Gomes. O disco homônimo foi produzido em Chicago pelo baterista da banda Tortoise, John McEntire. A banda é formada por Camila Zamith, JP Praxis, Diogo Saraiva, Ivan Bicudo, Márlon Tugdual e Fernando Lanches.