O espetáculo “Há vagas para moças de fino trato” – cultuado texto do dramaturgo, diretor teatral, roteirista e escritor brasileiro Alcione Araújo – ganha nova vida com direção e cenografia de Cléber Lopes. Nos dias 28, 29 e 30 de outubro, a peça estará no Teatro da Praça (Taguatinga Centro). Em seguida, é a vez do Teatro SESC Paulo Autran (Taguatinga Norte) receber a peça, nos 31 de outubro, 1º e 2 de novembro. A temporada encerra no Teatro Dulcina, com apresentações nos dias 4 e 5 de novembro, sempre às 20h. A entrada é franca.
A obra foi escrita inspirada na visão que o escritor tinha de uma janela vizinha ao seu apartamento, na qual evidenciava um ambiente feminino. Essa imagem do seu cotidiano serviu de mote para o texto, uma narrativa psicológica dos traumas amorosos que permeiam o cotidiano de três mulheres bastante diferentes. Gertrudes, uma senhora que aluga vagas em seu apartamento e suas inquilinas: Lúcia e Madalena, interpretadas pelas experientes atrizes da cena brasiliense Dina Brandão, Giselle Zivianki e Gleide Firmino.
“Há vagas para moças de fino trato é um excelente recorte da realidade. As personagens simbolizam um apanhado das diversas faces do caráter humano, com suas sobras e faltas, explosões e vácuos, alimentos e excrementos, dores e delícias”, afirma o diretor Cléber Lopes.
Por meio de uma escrita fluida e intuitiva, o texto tem um discurso que aborda a solidão escondida nos entremeios do cotidiano, colaborando com a encenação que se apoia em um estilo de interpretação espontâneo e naturalizado.
“Esse projeto é muito especial pra mim. Considero essa obra uma das mais importantes que já li e me identifiquei muito com o Alcione Araújo, que escreve de uma forma que me agrada bastante e que tem muito a ver com o tipo de teatro que faço”, explica Lopes, que revisita o texto profissionalmente pela terceira vez. O espetáculo é resultado de uma pesquisa de mestrado desenvolvida pelo diretor por meio do programa de pós-graduação em Arte da Universidade de Brasília (UnB).
Histórico de sucesso
O texto já teve projeção nacional, quando montado em São Paulo, com direção de Amir Haddad e com Glória Menezes, Yoná Magalhães e Renata Sorrah no elenco. Desde então é a obra de Alcione Araújo mais montada no Brasil e no exterior.
Cléber Lopes tem um fascínio pela história, com o qual trabalha desde 1999, quando ergueu sua primeira encenação de forma totalmente intuitiva com colegas de graduação nas salas de aula da Faculdade Dulcina de Moraes. Em 2000, teve a oportunidade de apresentar a peça na X Mostra Nacional de Teatro de Araxá (MG). Seis anos depois, já graduado, fez sua segunda investida no texto.
Dialogando com a linguagem naturalista, encenou “Há vagas para moças de fino trato” dentro de uma quitinete construída na Casa de Ensaios do Teatro Goldoni. O projeto arrojado trazia a plateia para dentro do cenário para assistir à trama com as cadeiras entre as camas, mesas e móveis do cenário. A encenação ganhou grande repercussão, rendendo dois meses de temporada do espetáculo, sempre com ingressos esgotados.
Esta terceira investida é a mistura de um trabalho de desconstrução e reconstrução dos objetos de estudo das montagens anteriores, enriquecendo suas possibilidades criativas e de interpretação. Ao revisitar a obra, o diretor fecha um ciclo experimental de pesquisa em espontaneidade e intimidade na interpretação teatral, utilizando esta experiência como materialização da investigação.
“Também estou realizando um formato que tinha muita vontade. Sempre quis fazer uma versão que pudesse ser montada e desmontada em qualquer lugar. Ela vira um pequeno set de filmagem e dialoga bastante com o cinema, pelo tipo de interpretação, espaço cenográfico e pela disposição estética em cima do palco”, destaca.
Serviço:
Há vagas para moças de fino trato
Data: 28, 29 e 30 de outubro
Local: Teatro da Praça – Taguatinga Centro
Data: 31 de outubro, 1 e 2 de novembro
Local: Teatro SESC Paulo Autran -Taguatinga Norte
Data: 4 e 5 de novembro
Local: Teatro Dulcina – Brasília
Sempre às 20h
Entrada franca
Classificação Indicativa: 16 anos