Dona de uma voz meiga, porém poderosa e cheia de charme, a brasiliense Maria Bia, responsável pela personagem Soraia da série de televisão Sexo e as Negas, de Miguel Falabella, conta ao Jornal de Brasília sobre o sucesso do seriado, carreira, inspirações e a polêmica diante do programa. Artista completa, ela não destaca preferência entre a música e a atuação. Habituada com atuações cênicas, Maria Bia revela também como foi a transição do teatro para a televisão. “Já tinha feito algumas participações, mas nada tão grande e intenso quanto a Soraia, de Sexo e As Negas. O ator de TV tem que estar muito mais atento a pequenos detalhes que fazem a diferença e que podem levantar ou derrubar uma cena”, diz. Tendo sua carreira firmada no teatro, com as peças musicais Hairspray, também de Falabella, a ópera O Crepúsculo dos Deuses , e a mais recente No Quarto ao Lado – A Comédia do Vibrador, a atriz soma mais de doze musicais. Morando em São Paulo desde da sua aprovação para o elenco Miss Saigon. Maria Bia também é formada em Jornalismo.
Como reagiu com o boicote que Sexo e As Negas sofreu?
O programa nunca sofreu boicote e sim uma tentativa que nunca se concretizou. Até porque era uma minoria que estava contra. Uma minoria preconceituosa que, depois que o programa estreou, passou de minoria para quase inexistente.
Sobre a polêmica que gerou para série, acredita que seja coerente?
Não. Se achasse isso não estaria nesse trabalho. E eu tenho o maior orgulho de ter essa série no meu currículo. O programa, sem dúvidas, não é mais do mesmo. Estamos falando com muito humor de coisas que ainda são tabus. E de forma nunca antes vista na televisão brasileira. O programa tem negas e negos para todos os gostos. Costumo brincar que somos “Cinquenta Tons de Negas”. E estamos trazendo todo o nosso colorido que é lindo demais para a TV brasileira.
Além de atuar, você canta. Tem preferência em atuar ou cantar?
Sou uma operária da arte e amo muito o que eu faço. Quero fazer isso pra sempre! Sou artista da pontinha da unha do meu pé até o último fio do meu cabelo crespo. Quando levanto e quando acordo, não me vejo de outro jeito. Gosto de atuar, cantar, dançar, escrever…. então não tenho preferências. Gosto de tudo. Que bom que eu não preciso escolher.
Você é de Brasília. Acha que o mercado paulista e carioca são mais ricos que Brasília?
Infelizmente isso ainda é fato! Aqui (Rio e São Paulo) temos mais oportunidades de trabalhos artísticos. É mais fácil viver de arte. O que é uma pena porque Brasília é celeiro de talentos em todas as áreas. Todo mundo fala isso e eu concordo.
Você se identifica com sua personagem, Soraia?
Eu e a Soraia somos pessoas leves, solares e de bem com a vida. Além disso, também sou uma mulher negra que tem a autoestima elevada. Eu me acho linda. Adoro a cor da minha pele e meu cabelo crespo. E assim como ela eu só quero ser feliz. Eu não complico e não crio problemas imaginários. Resolvo os problemas reais. E se complicar e ficar difícil… eu canto!
Se inspira em algum ator ou atriz?
Costumo gostar mais daquelas que conseguem passar pela comédia e também pelo drama com o mesmo talento e intensidade. No Brasil, eu gosto muito da Fernanda Montenegro e da Fernanda Torres. E internacionais eu gosto da Kate Winslet e Meryl Streep.
É a sua primeira vez na televisão? O que sentiu com a mudança do teatro para TV?
Já tinha feito algumas participações, mas nada tão grande e intenso quanto a Soraia de Sexo e As Negas. O ator de TV tem que estar muito mais atento a pequenos detalhes que fazem a diferença e que podem levantar ou derrubar uma cena. Não adianta nada eu ser uma excelente atriz e me entregar totalmente a uma cena se eu não estiver na marca correta, porque eu posso já estar fora de foco e fora de quadro. Daí a cena incrível que eu fiz não vai ter valido de nada e provavelmente nem vá ao ar. Dentro do ofício que eu escolhi, o de atriz, a televisão é outra forma de comunicação que faltava no meu currículo.
Você se identifica com alguma personagem de Sex And The City?
Todas ao mesmo tempo. As mulheres são assim e eu sou um exemplo bem típico. Eu gosto de moda, sapatos, sou vaidosa. Tem dias que estou mais periguete, em outros estou mais recatada. Tem dias que quero chorar, tem dias que quero chorar de rir.
Pensa em seguir na carreira musical?
Sim! Porque não? Tem tanta gente que elogia a minha voz, o meu timbre. Minha mãe acha que é parecido com o timbre da Roberta Flack. Eu já acho que sou única. Que meu timbre é único. Meu diretor musical do Sexo e As Negas, o Ricardo Leão, sempre elogia esse “algo de único” que eu tenho na minha voz e no meu jeito de cantar. Um algo Maria Bia de ser que eu sempre coloco nas músicas que cantamos em cada um dos episódios da série. Já tenho até algumas músicas, inclusive de amigos de Brasília, que gostaria de gravar. Já dá até pra fazer o CD. Quero fazer um rock regional, algo na linha da Cássia Eller. Acho que tem essa lacuna no mercado que eu gostaria sim de preencher. Tenho um pouco dessa agressividade na minha voz. Algo que a Cássia tinha. Falo muito dela porque acho que foi a artista que eu mais já fui em shows. Não perdia um em Brasília. Aquele último CD dela então, Com Você Meu Mundo Ficaria Completo, é referência total para o tipo de som que eu gostaria de fazer. Mas algo também é fato. Eu sou muito pop!
Pela sua carreira teatral é possível ver que você é bem eclética. Existe algum gênero que tenha preferência?
Eu sou muito eclética. Tenho minhas preferências e o que eu acho que faço melhor. Mas adoro me aventurar no desconhecido, aprender, sair da minha zona de conforto. E isso está sempre acontecendo. Tenho sempre oportunidades de superar meus limites. Com a Soraia, por exemplo, dei um toque de humor que pra mim é fácil. Sou do humor. Gosto de fazer rir. Tenho muito jeito também com crianças. Elas me adoram e eu as adoro, então gosto muito de fazer espetáculos infantis. O feedback é na hora e é sincero. Mas, por exemplo, a peça que eu fiz que recebi mais aplausos calorosos em toda a minha vida foi uma infanto-juvenil chamado Depois Daquela Viagem. Era algo impressionante. Arrepiava! E que venham mais experiências em todos os gêneros. Sou e gosto de ser eclética!