Clara Camarano
Especial para o Jornal de Brasília

“Você pode estar na fila errada por horas a fio. Você pode trocar o nome da garota em pleno sexo. Você pode dar um mergulho de cabeça sem ver que está na parte mais rasa da piscina”. Um jogo de azar e sorte. Seja no sentido literal ou subjetivo. É no jogo da vida que a citação descrita acima resume e abre bem o longa-metragem Texas Hold’Em – Violentos e Perigosos, do diretor espanhol Carlos Therón. Aliás, o recurso narrativo é apenas um dos diferenciais dessa produção que em nada nos remete aos tradicionais filmes de ação hollywoodianos.
No filme, a montagem chama a atenção pelos cortes bruscos, tomadas em close-up e câmera trêmula. Histórias paralelas e entrelaçadas de um jeito poético, mesmo se tratando de um suspense policial que foge dos múltiplos efeitos especiais.
Suspense
Texas Hold’Em – Violentos e Perigosos garante o interesse não apenas pela forma original, com um quê do cinema espanhol cult. O roteiro montado também se destacada. Como um jogo, a história é capaz de agradar qualquer amante de um bom suspense.
Na cerne da trama está Ray (Julián Villagrán), um ladrão de carros viciado em pôquer e na sua ex-namorada, Dani (Carolina Bona). Ao entrar numa jogatina, o protagonista se endivida até os tubos com um dos piores mafiosos do país: Mikima (Nacho Vidal), chefe de um crime organizado capaz de matar a sangue frio qualquer um que cruzar o seu caminho. Para pagar a dívida contraída em um jogo, Ray é obrigado a roubar bancos e carros. Ele se depara sempre com um azar. Inclusive ao descobrir que seu melhor amigo é inimigo mortal do mafioso.
Paralelo ao crime, o filme conta uma história que parece de amor e soa muito mais como uma sedução barata. Mulheres e homens jogam e fazem tudo pelo poder. Sobrevive quem for mais esperto.
Sentimentos
Outro gancho interessante é a forma como o protagonista se relaciona com os outros personagens. Apesar de ser um criminoso, ele é um cara cheio de sentimentos e que mantém uma pureza, sendo capaz de fazer tudo por amor. Inclusive, arriscar a própria vida.
O final é outro ponto alto. Surpreende por ser totalmente inesperado. No “jogo de pôquer” que o longa-metragem apresenta, em todos os sentidos, a sorte e o azar estão lançados e tudo pode acontecer para quem arrisca.