Sérgio Alpendre
Especial para o Jornal de Brasília
Apesar de notáveis exceções (Noites Brancas no Píer, O Ano Mais Violento), nosso circuito comercial continua deficiente. No lugar de Blackhat, o último longa de Michael Mann (um dos cineastas mais importantes em atividade), temos uma série de filmes anódinos, que seguem fórmulas de gênero sem maior desenvoltura narrativa.Dirigido pelo dinamarquês Henrik Ruben Genz, Risco Imediato é um deles. Trata-se de um thriller inglês sobre um casal de americanos (James Franco e Kate Hudson) que vai a Londres tentar a reconstrução de suas vidas, afetadas pela crise econômica.
Dinheiro
Uma vez lá, descobrem que a crise está também do outro lado do Atlântico. No momento em que recebem uma ação de despejo, conseguem, de mão beijada, um grande montante de dinheiro roubado.
A dúvida é cruel: ficar com o dinheiro e arcar com as consequências morais da escolha ou entregá-lo à polícia. Claro que grandes criminosos estão atrás do mesmo dinheiro, fazendo com que as consequências não sejam apenas morais.
Já vimos esse filme mil vezes. Geralmente, os acontecimentos surgem de modo semelhante: os vilões são incrivelmente ameaçadores e o policial, aqui vivido por Tom Wilkinson, é honesto e luta contra todo um sistema corrupto para ajudar o pobre casal.
A direção é protocolar: câmera na mão em alguns momentos, enquadramentos inusitados em outros, tudo como manda a cartilha atual. Em alguns raros instantes, até podemos encontrar alguma virada dramática que justifique nossa curiosidade até o fim.
Mas os elementos são batidos e as reviravoltas obedecem a esquemas narrativos há muito transformados em fórmulas, com presença de clichês como o dos bandidos que arregalam os olhos após um breve desfalecimento para investir novamente contra os heróis.