Raquel Martins Ribeiro
Especial para o Jornal de Brasília
Em Ponto de Bala, de 1993, é um ótimo exemplo de como desperdiçar o talento de bons atores. Com Wesley Snipes (Atraídos Pelo Crime) e Dennis Hopper (Fatal) no elenco, o longa-metragem decepciona os amantes dos gêneros policial e de ação – ao que o filme se propõe a ser.
O desenrolar da trama narra as empreitadas de Red Diamond (Dennis Hooper) e Ronnie (Viggo Mortensen), dois criminosos que acabam de deixar a prisão, e que se unem para continuar aplicando golpes. O plano da vez é vender dinheiro falso e depois matar o comprador. Porém, em uma das iniciativas, quem morre é um agente disfarçado da polícia, parceiro de Jimmy Mercer (Wesley Snipes), que passa a investigar o caso a fim de prender os assassinos.
Sono
Apesar de clichê, à primeira vista, o enredo indica alguma diversão, mesmo que para uma “Sessão da Tarde”. Mas após os 20 primeiros minutos, a maior possibilidade é que o espectador dê os primeiros cochilos, tamanha falta de ação e morosidade dos diálogos. Os fãs de Snipes, acostumados a atuações mais quentes como nos longas-metragens Caos e U.S. Marshals – Os Federais podem se surpreender com o tom apático dado à Mercer, seu personagem.
A única ressalva é a dupla formada por Dennis Hopper e Lolita Davidovich (Divisão de Homicídios e A Face Oculta da Lei), que confere um pouco de encantamento e empatia a cinematografia, e ainda assim, não consegue salvar o roteiro tedioso.
O longa é a estreia de James B. Harris como diretor. Antes, o também ator, havia trabalhado na produção de Glória Feita de Sangue, clássico de Stanley Kubrick, de 1957, e em O Telefone, de 1977, e que não teve grande expressividade. A experiência de Harris com Kubrick não parece tê-lo influenciado. James passa longe da genialidade de seu mestre, que sabia como ninguém envolver o cinéfilos em seus enredos.