Exibido em competição na última edição do Festival de Cinema de Paulínia, o longa-metragem Casa Grande foi inspirado nas memórias do jovem diretor e roteirista Fellipe Barbosa. Talvez seja por isso que ele conseguiu fazer um filme que chama a atenção por ser tão natural e, ao mesmo tempo, rico em significados.
Logo na primeira cena, acompanhamos uma mansão com muitos cômodos e as luzes sendo desligadas aos poucos. Fica claro que trata-se de uma família rica. Só que a crise econômica que se sucede é apenas um dos temas tratados no roteiro. Os problemas financeiros são vistos sob o olhar do adolescente Jean (Thales Cavalcanti), cujo amadurecimento é acompanhado do início ao fim da trama.
As descobertas sexuais e a entrada no mundo adulto são naturais, assim como a questão social que está tão presente na história.
Jean se apaixona por uma menina de origem humilde, uma garota que ele conheceu apenas porque passou a ir para a escola particular de ônibus (depois que a família teve que demitir o motorista para evitar gastos). O relacionamento, contudo, não é visto como um amor impossível e segue uma linha mais realista.
Sociedade
Distante do humor, Marcello Novaes e Suzana Pires interpretam os pais do protagonistas, que se viram como podem diante da avalanche de dívidas. No elenco, o destaque vai para a empregada da casa, interpretada pela ótima Clarissa Pinheiro. Engraçada e convincente, é uma personagem fácil de acreditar, neste drama que retrata bem as questões sociais do Brasil.