Raquel Martins Ribeiro
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Ética profissional e jogos de poder são as questões que permeiam o filme A Esperança é a Última que Morre. Primeiro longa-metragem em que Calvito Leal assina sozinho como diretor, o longa de humor estreia, nesta quinta-feira, em 150 salas de cinema, nas principais capitais nacionais.
“A ideia era perguntar até onde as pessoas vão para realizar um sonho? A gente começou a trabalhar na história em 2007. Desde então foi um processo longo e cheio de desafios. Estamos felizes de finalmente conseguir botar o filme na rua”, ressalta.
A comédia conta com uma seleção de nomes de destaque humorísticos brasileiros no elenco, como Dani Calabresa, Rodrigo Sant’anna e Katiuscia Canoro, todos figuras conhecidas do global Zorra. “Esse é o trabalho mais feliz que eu já fiz. Quando recebi o convite, e eles me contaram quem seria a minha personagem, nem perguntei de cachê. E foi melhor do que eu imaginava”, conta Dani Calabresa.
Na trama, a humorista vive Hortência, uma repórter de televisão que sonha em um dia se tornar âncora do telejornal local. Com medo de perder a vaga para sua colega Vanessa (Canoro), a jornalista inventa um falso serial killer, que movimenta a pacata cidade de Nova Brasília, além de garantir o furo jornalístico que leva a repórter a ser destaque nos noticiários.
Para Rodrigo, acostumado ao improviso das esquetes com personagens como a transexual Valéria Vasques, a mendiga Adelaide e o malandro Edmilson, a maior dificuldade foi se ater ao que o roteiro propunha. “Quem faz um humor mais autoral, fica se instigando a criar algo novo o tempo inteiro, parece que o roteiro nunca é suficiente. Mas para mim, como ator, foi um grande exercício isso de conseguir falar aquilo que não é meu”, explica Sant’anna.
“O meu desafio foi viver a minha primeira vilã. Explorar esse outro universo de arquétipo, que é totalmente diferente de mim”, confessa a atriz Katiuscia Canoro, que desde o início do ano abandonou o programa televisivo para se lançar em novas experiências artísticas. “Eu venho do teatro, sou atriz acostumada a interpretar diferentes papéis. A TV evidenciou meu lado cômico, e eu sou orgulhosa por isso”, conclui a intérprete de Lady Kate.
Companheiros
“O (diretor) Calvito Leal me convidou para fazer o filme em 2010. Então eu acabei tendo muito tempo para me preparar”, revela a comediante Dani Calabresa, que interpreta sua primeira protagonista nas telonas. No decorrer do longa, sua personagem, a atrapalhada Hortência, conta com o auxílio de Ramon (Rodrigo Sant’anna) e Eric (Danton Mello), que trabalham no Instituto Médico Legal (IML), para montar as cenas dos falsos crimes cometidos pelo “Assassino dos Provérbios”. Os falsos assassinatos acabam virando furos jornalísticos e o que ia bem começa a desandar quando os tais crimes passam a fugir do controle.
Humor além do óbvio
A produção conta, ainda, com atores de carreiras consolidadas como Augusto Madeira (Xingu e Tropa de Elite) e Danton Mello (O Palhaço). “Esse filme não tem lugar na prateleira. Ele não é apenas mais uma comédia. É bom cinema. Tem uma qualidade fotográfica, cenográfica e dramatúrgica que surpreendem”, acredita Augusto, corroborado pelo diretor, que ressalta a ausência de piadas óbvias e a fuga do lugar comum que impregna os atuais filmes de humor. “A minha maior preocupação é que antes da comédia, o filme tivesse uma boa história. São personagens vivendos situações inusitadas, cômicas, mas sem fazer piada”, completa Calvito.
Antes do “boom”
Filme rodado em São José do Barreiro, município de São Paulo, Calvito revela que chegou a pensar que seria um trabalho precursor. “Quando a gente começou a falar sobre o filme, não tinha acontecido o “boom” das comédias. A gente pensou que iria fazer o primeiro filme com a galera do humor de stand-up”, ressalta o diretor, que afirma não estar indo atrás do gênero que tem arrebanhado milhões de espectadores e saturado a cinematografia brasileira.
A repórter viajou a convite da distribuidora