Menu
Viva

Em época de manifestações, o Viva sugere filmes e livros que retratam a ditadura

Arquivo Geral

19/08/2015 6h00

A manifestação que tomou conta da Esplanada e de várias ruas Brasil afora no último domingo chamou a atenção pela grande quantidade de faixas e cartazes pedindo intervenção militar no País. O Viva. separou filmes e livros que retratam a Ditadura para aumentar o debate. Será que os brasileiros sabem o que aconteceu nesse período sombrio da nossa história? Segundo Vladimir Carvalho, a resposta é não. “Posso falar por minha experiência. Não foi nada fácil passar por esse período, que devemos rememoriar para repudiar qualquer movimento nesse sentido”, assegura o cineasta em entrevista ao Jornal de Brasília.

Vladimir sabe bem como foi passar pelos Anos de Chumbo e ressalta a falta de liberdade artística que imperou durante o regime militar. “Tive vários filmes parados pela censura. O País de São Saruê (1971) foi um deles. Teve de ser interrompido e ficou mais de dois anos esperando pela liberação”, relembra.

“Olho essas manifestações e me arrepio. Parece que o sacrifício de vários não serviu de exemplo”, acredita Vladimir, que sugere um resgate dos registros da época como fonte de conhecimento a quem engrossa o coro dos desavisados.

Dirigido por ele, o documentário Barra 68 – Sem Perder A Ternura (2001) narra a luta de Darcy Ribeiro nos anos 1960, época em que criou a UnB. O filme traz as repetidas agressões sofridas na época do Golpe Militar até os acontecimentos de 1968, quando cerca de 500 estudantes foram detidos numa quadra de esportes.

O cineasta baiano Olney São Paulo pagou um preço alto por Manhã Cinzenta (1968). Ficção que relata a violência dos torturadores do AI-5 (o mais duro golpe do Regime Militar), o longa mostra um casal sendo torturado e interrogado por um robô. Parecido com o que aconteceu tempos depois com o próprio Olney, que teve seu filme retirado de circulação, antes de ser preso, torturado e morto.

Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho, é outro título indispensável para entender o Regime Militar. O diretor começou a filmar a morte de um líder camponês em 1964. Mas, censurado, teve que parar as filmagens, e retormar só em 1984.

Ponto de vista

Para Aldo Antônio Azevedo, doutor em sociologia pela Universidade de Brasília, a desinformação é a base de pleitos que têm imperado nas ruas, realizados por aqueles que pedem intervenção militar. “A maioria dessas pessoas não tem o menor conhecimento da História do Brasil. Demonstram total alienação e são acompanhados por muitos jovens que não têm vivência política para tal discussão, e nem se preocupam em adquirir conhecimento”, considera.

Censura e leituras obrigatórias

Para quem prefere a leitura, que tal começar por Marighella – O Guerriheiro que Incendiou o Mundo, de Mário Magalhães? Carlos Marighella foi um dos militantes mais expressivos dos anos de chumbo. Não há como reconstituir passos da ditadura sem citar o livro, que deve virar filme em breve, pelas mãos de Wagner Moura, que estreia na direção.

Escrito pelo jornalista Zuenir Ventura, que também esteve à frente de movimentos de resistência, 1968: O Ano Que Não Terminou faz um recorte da história e expõe o que significou o ano no País. Estão na obra fatos importantes, como a Passeata dos Cem Mil e a implantação do AI-5.

Indicação

Para Vladimir Carvalho, “Roteiro da Intolerância: A Censura Cinematográfica no Brasil, de Inimá Simões, é leitura imprescindível”. No texto, o autor narra o funcionamento da censura, identifica a influência da Polícia Federal e do Serviço Nacional de Informações em suas relações com alguns setores da sociedade.

Inspirados em fatos reais

– Pra Frente, Brasil (1982), de Roberto Farias

– Nunca Fomos Tão Felizes (1984), de Murilo Salles

– O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto

– Ação Entre Amigos (1998), de Beto Brant

– Dois Córregos (1999), Carlos Reichenbach

– Cabra Cega (2005), de Toni Venturi

– Zuzu Angel (2006), de Sérgio Rezende

– Hércules 56 (2006), de Silvio Da-Rin

– Batismo de Sangue (2007, na foto de destaque), de Helvécio Ratton

– O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburguer

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado