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Viva

Em comédia, Dira Paes interpreta legisladora que não escapa da corrupção na política

Arquivo Geral

04/08/2015 6h30

Que outra cidade brasileira poderia servir tão bem como cenário de um longa-metragem sobre política? Com direção e roteiro de Gustavo Acioli, Mulheres no Poder, que estreia no dia 27, tem Brasília como pano de fundo para permear o nebuloso mundo do crime organizado no Congresso Nacional.

“O filme mostra como as pessoas podem se corromper quando no poder. Na obra, não existem heroínas, as personagens são mulheres com uma cabeça preconceituosa”, adianta Dira Paes.

Ela faz questão de ressaltar que “o texto não é feminista. É uma comédia que brinca com uma inversão de papéis. Ele brinca com o modelo atual da organização política brasileira”.

Para a atriz, mesmo com o aumento de pessoas que passaram a discutir sobre política desde os protestos de 2013, o debate não tem evoluído. “Infelizmente o que nós vemos é um discurso de ódio. As pessoas criticam um problema de 500 anos, como se fosse algo localizado e recente”, acredita.

Importância vai além

Ela explica que “com bom humor, a responsabilidade social de Mulheres no Poder é passar a importância que tem o voto, a importância que tem cobrar as atitudes esperadas do seu candidato. E, principalmente, acompanhar a vida política do seu candidato durante todo o mandato”.

Não é a primeira vez que a atriz passa um tempo por aqui, e que se encanta com a capital federal. “Já estive em Brasília inúmeras vezes. Não só participando do Festival de Brasília (do Cinema Brasileiro), que é a minha escola. Mas é uma cidade com a qual eu tenho uma certa intimidade muito agradável. Gosto da diversidade da capital”, elogia a atriz paraense.

Uma parceria de sucesso

A sintonia entre a atriz e o diretor Gustavo Acioli vem de outros carnavais. Os dois já se encontraram nas filmagens de Incuráveis, de 2005, que rendeu a Dira o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

“Dira Paes alcançou a plenitude artística e técnica. A compreensão que ela tem da linguagem cinematográfica, da função do ator em um filme e do processo de filmagem é uma coisa espantosa. Além disso, nós conversamos muito sobre política, sobre o Brasil etc. Nesse tempo todo de preparação do filme, ela foi uma parceria intelectual também”, ressalta o diretor.

Para Gustavo, não há momento mais propício para falar sobre corrupção na política. “Estamos vivendo um momento histórico no País e, para mim, é uma feliz coincidência que o filme esteja sendo lançado agora. Quando as pessoas assistirem, vão entender porque digo isso”, acredita Acioli.

Quando o humor é a chave

O diretor vê no humor do filme a chave para a reflexão de muitas questões. “Praticamente todas as falas do filme ultrapassam o contexto das cenas, e da história que está sendo contada. Se as pessoas ficarem atentas a isso, vão se divertir muito mais. Na produção, não tem ponto sem nó”.

Admirador da capital e do festival de cinema candango, do qual já participou oito vezes, “como diretor, jurado ou ministrando oficina para atores”, o diretor se ressente por não ter conseguido gravar nas instalações do Congresso. “Infelizmente, ele não está de braços abertos para as equipes de filmagem. Isso é um erro em todos os sentidos, tanto no que se refere ao zelo pela democracia quanto no que diz respeito ao zelo pela própria imagem da Casa”, acredita.

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