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Cinema com ela
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Em ‘A Odisseia’ Christopher Nolan mistura mitologia e memória em seu épico mais pessoal

Com elenco estelar liderado por Matt Damon, Anne Hathaway e Tom Holland, adaptação chega aos cinemas nesta quinta-feira (16) revisitando o clássico grego com fôlego de blockbuster e coração de drama íntimo

Tamires Rodrigues

16/07/2026 5h00

Atualizada 15/07/2026 23h31

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

A grande sacada de Christopher Nolan em sua nova produção não está na escala das batalhas nem no tamanho do elenco, mas em algo bem mais simples: a paciência. Depois de anos associado a tramas cerebrais e quebra cabeças temporais, o diretor entrega aqui um filme que respira, que deixa o silêncio ocupar espaço e que confia no espectador para reconstruir, aos poucos, a história de um homem tentando voltar para casa.

A trama acompanha Odisseu (Matt Damon) muitos anos depois do fim da Guerra de Troia, ainda sem retornar ao seu reino em Ítaca. Enquanto isso, sua esposa Penélope (Anne Hathaway) lida com pretendentes que ocupam o palácio, e o filho do casal, Telêmaco (Tom Holland), decide sair em busca de notícias do pai. É um ponto de partida simples, quase familiar, mas que Nolan usa como âncora para uma jornada que se estende por lugares e tempos distintos.

O que chama atenção logo de cara é a decisão de não tratar a mitologia grega como pretexto para espetáculo visual. Monstros, criaturas e deuses aparecem, mas o filme parece mais interessado no efeito que essas presenças causam nos personagens do que em impressionar com efeitos especiais. Essa escolha pode frustrar quem espera um festival de CGI, mas recompensa quem busca um épico com peso dramático real.

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

Um retrato de família dividido entre espera e busca

Anne Hathaway carrega boa parte da tensão emocional do filme sem precisar de grandes explosões dramáticas. Sua Penélope é construída em pequenos gestos, olhares e silêncios que comunicam mais do que qualquer discurso poderia. É um tipo de atuação que tende a passar despercebida em premiações justamente por ser tão contida, mas que sustenta o filme em vários momentos.

Tom Holland, por sua vez, surpreende ao equilibrar a inexperiência de Telêmaco com uma seriedade crescente conforme a jornada avança. Há um arco de amadurecimento bem desenhado, que evita o clichê do jovem herói relutante e aposta em uma trajetória mais gradual e crível.

Já Matt Damon entrega um Odisseu cansado, mais reflexivo do que guerreiro. Em vez de reforçar a imagem do herói invencível, o ator investe em pequenas fraturas emocionais, sugerindo um homem que carrega o peso das próprias decisões mesmo quando celebrado como vencedor. É um trabalho que ganha força justamente por evitar grandiosidade fácil.

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

Um dos maiores acertos do filme está em como reconstrói Helena, interpretada por Lupita Nyong’o. Personagem que a tradição sempre tratou pelo olhar alheio, ganha aqui uma Helena vista por seus próprios olhos, que carrega visivelmente o peso do que sua história provocou. Lupita entrega essa complexidade com uma presença magnética, dando à personagem uma aura pesarosa e ao mesmo tempo espetacular.

O elenco de apoio também tem seus méritos. Robert Pattinson constrói um antagonista mais sutil do que caricatural, Charlize Theron aparece em poucas cenas mas deixa marca, e Zendaya, como Atena, funciona bem como presença quase etérea, sugerindo a interferência divina sem exageros visuais.

Fotografia e som constroem a atmosfera do mito

Tecnicamente, o filme impressiona pela opção de rodar boa parte das cenas em locações reais, com câmeras de grande formato que dão à narrativa uma textura quase palpável. A fotografia explora bem contrastes entre ambientes áridos e cenários marítimos, reforçando visualmente a sensação de desorientação do protagonista.

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

A trilha sonora de Ludwig Göransson evita o excesso bombástico que às vezes marca produções desse porte. Em vez de sublinhar cada momento com música grandiosa, o compositor prefere um acompanhamento mais discreto, que só cresce nos instantes certos, permitindo que cenas de silêncio ganhem ainda mais força dramática.

A montagem, que alterna entre passado e presente sem seguir uma ordem cronológica tradicional, exige atenção do espectador, mas funciona bem como recurso narrativo. Em vez de simplesmente contar uma sequência de aventuras, o filme parece mais interessado em mostrar como certas memórias insistem em voltar, moldando decisões no presente.

Um dos pontos mais interessantes da adaptação é como ela lida com o tempo de guerra vivido pelos personagens secundários, especialmente os soldados que acompanharam Odisseu. Em vez de tratá-los como figurantes, o roteiro reserva alguns momentos para explorar o custo humano da longa campanha militar, ainda que de forma breve.

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

Vale destacar também o cuidado com figurinos e cenografia, que equilibram bem uma estética antiga com escolhas visuais mais modernas, evitando tanto o exagero decorativo quanto o minimalismo genérico que às vezes marca reconstituições históricas.

Com quase três horas de duração, o filme exige fôlego do espectador, mas raramente parece arrastado. A narrativa se beneficia de um ritmo que intercala momentos de ação com passagens mais contemplativas, criando uma experiência que parece menos preocupada em impressionar a cada cena e mais interessada em construir, aos poucos, um retrato humano por trás do mito.

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Foto: Divulgação/Universal Pictures

Conclusão

No fim das contas, o que fica dessa adaptação é a sensação de que Nolan encontrou um material que permite equilibrar sua ambição técnica com um interesse genuíno por personagens complexos. É um épico que chega aos cinemas nesta quinta-feira (16) apostando menos em espetáculo imediato e mais em uma jornada emocional que recompensa quem tiver paciência para acompanhá-la até o fim.

confira o trailer:

Ficha Técnica
Direção:
Christopher Nolan;
Roteiro: Christopher Nolan;
Elenco: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron, Lupita Nyong’o, Samantha Morton;
Gênero: Ação, Aventura, Épico, Fantasia, Drama;
Duração: 172 minutos;
Distribuição: Universal Pictures;
Classificação indicativa: 14 anos;
Assistiu à cabine de imprensa a convite da Espaço Z

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